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Repressão a protestos no Irã causou mais de 300 mortes em novembro, diz Anistia Internacional

16/12/2019 14h31

Pelo menos 304 pessoas morreram no Irã durante a repressão aos protestos que tomaram conta do país entre os dias 15 e 18 de novembro. Entre elas, jornalistas, defensores de direitos humanos e estudantes. O balanço foi publicado nesta segunda-feira (16) pela Anistia Internacional, que denunciou "a repressão implacável do governo."

Pelo menos 304 pessoas morreram no Irã durante a repressão aos protestos que tomaram conta do país entre os dias 15 e 18 de novembro. Entre elas, jornalistas, defensores de direitos humanos e estudantes. O balanço foi publicado nesta segunda-feira (16) pela Anistia Internacional, que denunciou "a repressão implacável do governo."

Em um comunicado, a Anistia Internacional alertou para as prisões durante os protestos iniciados no dia 15 de novembro.  De acordo com o balanço inicial divulgado pela organização, em 2 de dezembro, 208 pessoas haviam morrido nas manifestações - 96 a menos depois da revisão dos dados.

"As autoridades iranianas continuam a repressão após as manifestações em todo o país que começaram em 15 de novembro, prendendo milhares de manifestantes, jornalistas, defensores de direitos humanos e estudantes para impedir que digam o que pensam dessa repressão implacável", acusou a ONG de defesa dos direitos humanos em uma declaração. Entre as pessoas detidas e assassinadas também estão menores e crianças, segundo a representante da Anistia Internacional na França, Anne-Sophie Simpere, entrevistada pela RFI. "Há pelo menos dois menores, de 15 e 17 anos, que foram mortos, e crianças enviadas para centros de detenção", declarou.

A Anistia Internacional também alertou para a intenção do governo iraniano de calar a população através da intimidação. "As autoridades iranianas, quase imediatamente após o massacre de centenas de pessoas, lançaram uma repressão em larga escala para estabelecer em entre elas o medo de falar abertamente sobre o que aconteceu", diz o texto do comunicado. Os protestos começaram em 15 de novembro, após o anúncio do aumento do preço do combustível, em meio a uma crise econômica, e se espalharam por centenas de cidades iranianas.

A coleta de informações que permite determinar o que aconteceu durante os protestos é difícil no Irã, lembra Simpere. "A partir do dia 16 de novembro, no dia seguinte às manifestações, as autoridades iranianas bloquearam totalmente a internet, durante praticamente uma semana", explicou. A organização agora tenta recolher o maior número de dados possíveis e analisar os vídeos para identificar vítimas e responsáveis, além de identificar o local onde as imagens foram obtidas.

Vítimas são alvo de ameaças

De acordo com a representante francesa da Anistia Internacional, outra dificuldade é que as famílias das vítimas também são alvo constantes de ameaças. "As autoridades fazem o possível para esconder o que aconteceu", declara. "Para as testemunhas, falar é algo extremamente arriscado", ressalta. As autoridades iranianas prendem as pessoas em casa ou em seu local de trabalho e as levam para centros de detenção "onde os direitos humanos simplesmente não existem", reiterou.

Nesses locais, ressalta Anne-Sophie, há riscos reais de tortura física e psicológica, confissões obtidas à força e outros tipos de tratamentos desumanos. "Há uma verdadeira onda de detenções, ouvimos dizer que cerca de 7.000 pessoas foram presas", diz. As penitenciárias estão lotadas e os presos não têm direito a um advogado ou a entrar em contato com suas famílias. "É muito difícil saber o que está acontecendo com eles", afirmou.

Algumas pessoas foram liberadas, explica a representante francesa da organização, mas muitas continuam detidas sem que suas famílias tenham qualquer tipo de informação sobre o que aconteceu com elas. A internet voltou a funcionar, mas ainda continua sendo difícil verificar qual é o destino desses prisioneiros. "Por isso a Anistia Internacional pede à comunidade internacional e às Nações Unidas que façam pressão para obter autorização para visitar os locais de detenção ou hospitais", declarou.

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