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Coronavírus acentua crise da indústria da informação e jornais impressos são os mais prejudicados

03/06/2020 17h50

A mídia impressa é uma das indústrias mais devastadas pela pandemia de coronavírus. Dezenas de milhares de empregos foram perdidos no setor e centenas de títulos estão ameaçados de desaparecer em todo o mundo. Ao mesmo tempo em que o público nunca teve tanta fome por informação, como mostra o aumento substancial de leitores de veículos na Internet, os jornais impressos, de sua parte, nunca sofreram tanto economicamente.

A mídia impressa é uma das indústrias mais devastadas pela pandemia de coronavírus. Dezenas de milhares de empregos foram perdidos no setor e centenas de títulos estão ameaçados de desaparecer em todo o mundo. Ao mesmo tempo em que o público nunca teve tanta fome por informação, como mostra o aumento substancial de leitores de veículos na Internet, os jornais impressos, de sua parte, nunca sofreram tanto economicamente.

Dominique Baillard

Os leitores, finalmente, pagam por apenas uma parte da informação quando compram um jornal na banca, de forma on-line ou por assinatura. A publicidade, geralmente, é uma fonte essencial de renda dos veículos e representa um terço da receita da imprensa francesa.

Mas com a economia estagnada, a publicidade entrou em colapso. Em média, houve uma queda de 50% das receitas publicitárias na França. Além disso, alguns jornais vivem, em parte, de eventos que criam, como conferências, ou acontecimentos que cobrem, como as competições esportivas.

O confinamento atrapalhou esses ganhos. É por essa razão que o L'Equipe, o principal diário esportivo francês, está em péssima situação, quando a direção propõe cortes salariais para garantir a sua continuidade.

Há muitas redações condenadas?

Mas a França não é o único país nessa situação. Desde 1º de abril, 60 jornais australianos deixaram de ser impressos. No fim do mês, serão cem títulos nesta situação. Um terço deles desaparecerá, o restante permanecerá disponível online.

Os títulos fazem parte do grupo de comunicação Newscorp, do magnata Ruppert Murdoch. A Austrália é o país onde a extinção da imprensa escrita acontece de forma mais impressionante.

Em outros lugares, títulos já em péssimas condições antes da crise foram encerrados, mas a maioria ainda está resistindo à erosão de receitas de publicidade. Esse fenômeno começou há várias décadas, tornando-se notável a partir dos anos 1970, nos Estados Unidos. A TV pegou uma parcela crescente dessa receita e a Internet, posteriormente, fez o resto. Os gigantes da web, como Google e Facebook, sugam quase todos os recursos. E a crise do coronavírus apenas acelerou o movimento.

Novos títulos 100% digitais, como Buzzfeed e Vice Media, também sofrem com essa concorrência desleal e foram duramente atingidos pela súbita secura do mercado publicitário. Para sobreviver, eles demitem funcionários e precisam desenvolver um novo modelo de negócios. A solução também envolve uma negociação com os GAFAs, para que esses remunerem o conteúdo que recebem de graça, a um preço justo, como já é exigência em países como a Austrália.

Alguns títulos resistiram bem à crise

O prestigiado diário The New York Times, da costa leste dos Estados Unidos, ganhou meio milhão de novos assinantes. Os títulos que, muito antes da pandemia, optaram por cobrar informações através da assinatura da edição em papel, e mais frequentemente online, são aqueles que melhor resistiram a essa dupla restrição: fornecer sempre mais informações com cada vez menos recursos de publicidade.

No caso do The New York Times, 60% da receita vêm de assinaturas. O Wall Street Journal, diário financeiro de referência nos Estados Unidos, também atravessa a crise sem maiores obstáculos. Esses jornais agora têm condições de recrutar novos jornalistas.

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