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Adiamento do Carnaval 2021 no Brasil repercute na imprensa francesa

25/09/2020 15h30Atualizada em 21/10/2020 13h14

O assunto esteve presente em diversos jornais e emissoras de rádio e TV na França. Os tradicionais desfiles, blocos e festas de Carnaval, que deveriam acontecer em fevereiro de 2021 no Brasil, foram adiados por tempo indeterminado por causa da pandemia, segundo informações dos organizadores do evento nesta sexta-feira (25).

O assunto esteve presente em diversos jornais e emissoras de rádio e TV na França. Os tradicionais desfiles, blocos e festas de Carnaval, que deveriam acontecer em fevereiro de 2021 no Brasil, foram adiados por tempo indeterminado por causa da pandemia, segundo informações dos organizadores do evento nesta sexta-feira (25).

"Sem desfiles de escolas de samba ou carnaval de rua no Rio de Janeiro em fevereiro de 2021: as festividades exuberantes que atraem milhões de visitantes à capital turística do Brasil foram adiadas por tempo indeterminando por causa da pandemia de coronavírus", diz o site de France Info.

"A segunda maior cidade do Brasil adiou a edição de 2021 do carnaval, marcada para fevereiro, devido à pandemia do coronavírus. A cidade segue o mesmo caminho de São Paulo, numa época em que o Brasil lamenta cerca de 140 mil mortes causadas pela Covid-19, o segundo maior número de mortos no mundo. Nenhuma nova data foi apresentada", reporta o canal France 24.

O jornal La Croix e o site do canal TV5 Monde também repercutiram a informação, assim como a declaração de Jorge Castanheira, presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA), em coletiva aos jornalistas na noite da quinta-feira, após o encontro dos dirigentes da associação que organiza o evento. "Chegamos à conclusão de que o evento deve ser adiado. Simplesmente não podemos fazer em fevereiro. As escolas de samba não terão tempo nem recursos financeiros e organizacionais para ficarem prontas para fevereiro", publica o vespertino.

Nesta sexta-feira, foi a vez da principal associação do carnaval de rua, a "Sebastiana", fazer o mesmo, reportou a agência AFP: "a LIESA tomou a decisão certa, não dá para reunir multidões para o carnaval sem que certifique-se de que a população pode ser vacinada", disse sua presidente, Rita Fernandes, à TV Globo.

O Rio ficará, portanto, também privado dos inúmeros desfiles de "blocos", esses agrupamentos de bairros que vagueiam dançando e às vezes drenam dezenas de milhares de foliões, num alegre coquetel explosivo de música, disfarce e, muitas vezes, álcool.

Em julho, surgiu o primeiro gostinho dessa decisão, quando cinco das doze escolas de samba garantiram que, na falta de vacina no final de setembro, pediriam o adiamento do evento.

"Não é um cancelamento, é um adiamento. Estamos em busca de uma solução alternativa, algo para fazer quando a segurança sanitária permitir dar a nossa contribuição para a cidade. Mas não estamos seguros o suficiente para marcar uma data", disse Castanheira.

No emblemático Sambódromo da Cidade Maravilhosa, cada escola desfila normalmente com cerca de 3.000 membros fantasiados, dançando muito próximos uns dos outros e cantando durante o desfile, que dura pouco mais de uma hora.

Pesadelo

Na rua ou no Sambódromo, essas comemorações são antes de tudo um pesadelo para um epidemiologista, tendo em vista a promiscuidade e a imensa multidão que atraem: milhões de pessoas participam a cada ano, de cariocas a outros brasileiros, além de turistas estrangeiros.

No final de julho, a cidade do Rio já havia anunciado que não iria organizar as tradicionais festas de fim de ano que costumam reunir vários milhões de pessoas na famosa praia de Copacabana.

O anúncio do adiamento do carnaval estava no ar nos últimos tempos, principalmente por causa da alta prevalência do coronavírus no Brasil, que deplora o segundo maior número de mortes no mundo, cerca de 140 mil, atrás apenas dos Estados Unidos. Quase 4,7 milhões de pessoas foram infectadas.

A epidemia no terreno do gigante latino-americano abrandou um pouco desde o seu pico em julho, mas mesmo assim houve, nas últimas duas semanas, uma média diária de 30.000 novos casos e 735 novas mortes, segundo dados do ministério da Saúde.

O estado do Rio é o segundo estado mais afetado pela epidemia no Brasil, atrás apenas de São Paulo. O carnaval paulista de 2021 foi adiado indefinidamente desde 24 de julho, incluindo o desfile dos "blocos".

O carnaval da cidade de São Paulo é um dos mais importantes do Brasil. A última edição atraiu 120 mil pessoas para admirar as escolas de samba do Sambódromo do Anhembi, enquanto os "blocos" atraíram mais de 15 milhões de foliões, segundo o prefeito Bruno Covas.

O carnaval carioca só havia sido adiado uma vez, há mais de um século, em 1912. Na época ele ocorreu dois meses depois do planejado, devido a um período de luto após a morte do então Ministro das Relações Exteriores, José Maria da Silva Paranhos Junior.

Segundo a lenda, este último é o autor da famosa frase: "só duas coisas são organizadas no Brasil, a desordem e o carnaval".

Com informações da AFP