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"Equipe de Biden não esquecerá que Bolsonaro se alinhou com apoiadores mais doidos do Trump", diz especialista americano

Fotografia de Joe Biden - Wikimedia Commons
Fotografia de Joe Biden Imagem: Wikimedia Commons

19/01/2021 17h29

A posse de Joe Biden, que assume a presidência dos Estados Unidos nessa quarta-feira (20), abrirá um novo capítulo nas relações internacionais do país. A administração de Donald Trump foi marcada por tensões na geopolítica e a chegada do democrata na Casa Branca deve apaziguar os diálogos externos com certos países. Mas no caso do Brasil, a situação é mais ambígua, segundo o professor David Samuels, cientista político da Universidade de Minesota.

Durante o mandato de Donald Trump, o Brasil desenvolveu uma relação de proximidade aparente com os Estados Unidos, principalmente após a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018. A admiração do líder republicano pelo brasileiro norteou as discussões entre os dois países - e afastou Brasília de outros parceiros.

Com a chegada de Biden na Casa Branca, essa relação tende a esfriar. Bolsonaro não escondeu o descontentamento com o resultado da eleição norte-americana e só reconheceu a vitória do Biden em 15 de dezembro.

"Os integrantes do governo Biden não vão esquecer rapidamente que o Bolsonaro se alinhou com os apoiadores mais doidos do Trump", resume Samuels, em alusão aos manifestantes que invadiram o Capitólio para contestar a nomeação de Biden, em 6 de janeiro.

"Os integrantes desse novo governo americano consideram o Bolsonaro um 'mini-Trump'", diz o cientista político. "Mas eu vou enfatizar a palavra 'mini', pois Bolsonaro não tem peso ou importância nem para o Partido Democrata, nem para o Partido Republicano", pondera.

Mesmo assim, ressalta Samuels, alguns aspectos da atual presidência brasileira ainda incomodam. "O Bolsonaro pode ser um pouco espinhoso [para Washington], dadas suas políticas na Amazônia e contra os direitos humanos. Mas isso não é tão importante para o governo americano. Biden vai ter outros problemas maiores para resolver", relativiza.

América Latina não é prioridade

Samuels também lembra que não só Brasil, como boa parte da América Latina já tinham deixado de ser uma prioridade na lista de assuntos geopolíticos de Washington muito antes da chegada do líder republicano ao poder. "Desde Obama a pauta [latino-americana] tem menos importância na política diária dos Estados Unidos", explica o professor. Enquanto estava na Casa Branca, o ex-presidente deu prioridade a outras zonas geográficas, como a região do Oceano Pacífico.

Além disso, no caso da América Latina, os assuntos que mais contavam no diálogo, como a questão da imigração, perderam peso. "Tem mais pessoas hoje voltando para o México do que entrando do México nos Estados Unidos", exemplifica o especialista.

"Temos um problema, que são os 10 milhões que estão na ilegalidade. Mas não temos mais as centenas de milhares de pessoas chegando a cada ano do México ou da América Central", avalia. "Até a questão da Venezuela, que é uma ditadura plena, não tem muito interesse aqui", frisa o cientista político.

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