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Governo francês pede volta do uso máscaras nos transportes públicos por aumento de casos de covid

A França enfrenta uma nova onda de Covid-19, devido principalmente à subvariante BA.5, mutação da ômicron - Reuters
A França enfrenta uma nova onda de Covid-19, devido principalmente à subvariante BA.5, mutação da ômicron Imagem: Reuters

28/06/2022 12h35

A ministra francesa da Saúde, Brigitte Bourguignon, recomendou na segunda-feira (27) que os usuários dos transportes públicos voltem a usar máscaras de proteção. Como boa parte da Europa, a França enfrenta uma nova onda de Covid-19, mas até o momento o governo descarta restabelecer as restrições.

Em entrevista à rádio francesa RTL, a ministra pediu que os franceses ajam "por civismo", diante do aumento das contaminações. Segundo ela, é "dever do cidadão" se proteger "diante de uma variante muito contagiosa", mas também é preciso "proteger os outros e principalmente os mais frágeis", sem a necessidade de impor uma obrigação.

A exemplo de vários países da Europa Ocidental, a França enfrenta uma nova onda de Covid-19, devido principalmente à subvariante BA.5, mutação da ômicron. Junto com a BA.4, as duas cepas escapam à imunidade adquirida pelas vacinas e também por uma infecção anterior.

Bourguignon também fez um novo apelo para que algumas categorias da população, principalmente os cidadãos com mais de 60 anos e pessoas imunossuprimidas, tomem a quarta dose da vacina anticovid. Segundo ela, em breve, esse reforço da imunização será aberto ao público em geral.

A obrigação do uso da máscara nos transportes públicos chegou a ser cogitada pelo governo francês no último mês de maio. Desde o início de junho, a quantidade de infecções aumentou, com mais de 62 mil casos registrados nos últimos sete dias, segundo a agência Saúde Pública da França. O número de hospitalizações também está crescendo regularmente há duas semanas, com 707 internações nos últimos sete dias.

Novo estudo confirma suspeita sobre subvariantes

A comunidade médica vem, há algumas semanas, alertando para as características das subvariantes BA.4 e BA.5, apontadas como responsáveis pela nova onda da Covid-19 na Europa. Na última quarta-feira (22), um estudo publicado no New England Journal of Medicine confirmou a hipótese de que as duas novas linhagens têm uma grande capacidade de escapar dos anticorpos produzidos tanto pela vacinação e como pelo contágio.

"A ômicron continuou a evoluir aumentando sua capacidade de fuga imunitária", sublinham os autores do estudo do centro médico Beth Israel Deaconess, em Boston, nos Estados Unidos. Segundo eles, os resultados do trabalho permitem compreender a retomada da epidemia, em alguns países, devido às subvariantes, que estão contagiando pessoas vacinadas ou que já foram infectadas pelas duas primeiras cepas da ômicron, a BA.1 e a BA.2.

Outro estudo, realizado pelo Imperial College de Londres, divulgado em meados de junho, também mostrou que pessoas que foram contaminadas pela ômicron têm uma resposta imunitária positiva contra as linhagens mais antigas da Covid-19, mas não contra as novas subvariantes.

"Pensávamos que uma infecção poderia ser quase benéfica, como uma espécie de dose de reforço", disse Rosemary Boyton, coautora do trabalho. "O que descobrimos é que o contágio pela ômicron estimula mal a imunidade contra ela mesma", reiterou.

Segundo a especialista, isso explica o declínio imunitário após a vacinação e o aumento massivo de novos casos. "Muitas pessoas estão se recontaminando em curtos intervalos", observa.

Fim dos gestos básicos de proteção

Segundo especialistas, outro fator contribui para a propagação da BA.4 e da BA.5 foi o fim dos gestos básicos de proteção, como a higienização das mãos, a distância física e o uso de máscaras. Especialistas pedem que a população não relaxe e continue se protegendo.

"Estamos diante de variantes altamente contagiosas, que escapam dos radares das defesas imunitárias. É uma verdadeira complexidade da família ômicron", alerta o chefe do serviço das doenças infecciosas do hospital Tenon, em Paris.

(Com informações da AFP)

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