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Ministro de Israel diz que bomba nuclear em Gaza é 'opção' e é suspenso por Netanyahu

Tanques de Israel atravessam fronteira com a Faixa de Gaza Imagem: Amir Cohen - 05.nov.2023/Reuters

05/11/2023 09h38Atualizada em 05/11/2023 16h11

Um ministro ultranacionalista israelense foi sancionado neste domingo (5) pelo chefe do Governo Benjamin Netanyahu depois de afirmar que usar uma bomba nuclear contra a Faixa de Gaza na guerra contra o Hamas palestino seria "uma opção". O ministro do Patrimônio israelense, Amichay Eliyahu, declarou em uma entrevista a uma rádio que não estava totalmente satisfeito com a escala da retaliação israelense no território palestino após o ataque mortal do Hamas em solo israelense em 7 de outubro.

Um ministro ultranacionalista israelense foi suspenso neste domingo (5) pelo chefe do Governo Benjamin Netanyahu depois de afirmar que usar uma bomba nuclear contra a Faixa de Gaza na guerra contra o Hamas palestino seria "uma opção". O ministro do Patrimônio israelense, Amichay Eliyahu, declarou em uma entrevista a uma rádio que não estava totalmente satisfeito com a escala da retaliação israelense no território palestino após o ataque mortal do Hamas em solo israelense em 7 de outubro.

Ao jornalista que lhe perguntou se, em sua opinião, a solução para o problema seria lançar "uma espécie de bomba nuclear sobre toda a Faixa de Gaza, arrasá-la e matar a todos", o ministro respondeu: "É uma opção".

E quando o jornalista lhe apontou que "destruir toda a Faixa de Gaza" também envolveria um preço a ser pago por Israel, ele sugeriu que estava pronto a aceitar que as vidas de mais de 240 reféns ainda detidos pelo Hamas em Gaza fossem colocadas em perigo. "Em uma guerra, há um preço a pagar. Porque as vidas dos reféns (...) são mais importantes do que as dos nossos soldados?", ele questionou.

O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reagiu rapidamente, denunciando declarações "desconectadas da realidade" e acrescentando que o exército israelense se esforça para poupar os "não-combatentes" em Gaza. Netanyahu também suspendeu a participação do ministro nas reuniões do Governo "até novo aviso".

Diante das reações causadas por suas declarações, o ministro publicou uma mensagem na rede social X afirmando que sua "declaração sobre as armas atômicas é metafórica". "Mas precisamos absolutamente de uma resposta poderosa e desproporcional ao terrorismo", acrescentou.

Ele também afirma em sua mensagem no X que Israel estaria comprometido "em fazer todo o possível para devolver os reféns sãos e salvos".

Reações indignadas

As declarações provocaram uma reação indignada por parte das famílias dos reféns. O principal coletivo que as representa denunciou comentários "irresponsáveis ??e cruéis". "O direito internacional, a moralidade humana e o bom senso proíbem estritamente o uso de armas de destruição em massa", escreveu o coletivo em um comunicado, sublinhando que "a principal prioridade das ações de Israel em Gaza" deve "ser a libertação dos reféns".

Israel, que nunca confirmou nem negou a posse de armas atômicas, possui 90 ogivas nucleares, de acordo com as últimas estimativas do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo.

Em suas declarações na rádio, Eliyahu também apelou ao regresso dos colonos israelenses à Faixa de Gaza, de onde foram deslocados em 2005 durante a retirada unilateral decidida pelo governo israelense de Ariel Sharon.

"Temos que lhes impor um preço territorial, o que significa regressar a Gush Katif [antigo bloco de colônias na Faixa de Gaza]. Temos que começar a desalojar [os palestinianos] da Faixa de Gaza e fazê-los emigrar para outro país", declarou.

Em Gaza, um porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, afirmou em um comunicado que as declarações do ministro israelense refletiam "o terrorismo sem precedentes que este governo está levando a cabo contra o povo palestino". "Este governo constitui um perigo para a região e para o mundo", ele acrescentou.

Cerca de 9,5 mil palestinos mortos

De acordo com o último relatório do Hamas, de sábado (4), 9.488 pessoas, sobretudo civis, foram mortas na Faixa de Gaza, na guerra desencadeada pelo ataque sangrento do movimento islâmico palestiniano em 7 de outubro em solo israelita.

As autoridades israelenses afirmam que pelo menos 1,4 mil pessoas morreram do lado de Israel, a maioria civis mortos no mesmo dia do ataque do Hamas, movimento classificado como terrorista por Israel, mas também pela União Europeia e pelos Estados Unidos.

(Com informações da AFP)

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