França quer desmantelar 3 grupos de ultradireita, após protestos violentos contra imigração

O ministro do Interior da França, Gérald Darmanin, anunciou nesta terça-feira (28) que pediria o desmantelamento de três pequenos grupos de ultradireita, após violentas manifestações de ativistas no sudeste da França, que terminaram com cerca de trinta detenções. Após a morte de um jovem francês a facadas há dez dias, militantes de extrema direita franceses saem às ruas para protestar contra a insegurança e a imigração

Trata-se de uma reação "firme" para evitar "um cenário de guerra civil", explicou Darmanin ao anunciar que solicitaria o desmantelamento dos grupos, entre eles a Divisão Martel. 

No fim de semana passado, cerca de cem ativistas de extrema direita de diferentes cidades fizeram uma manifestação violenta pelas ruas da cidade de Romans-sur-Isère, na Drôme, após a morte de Thomas, um jovem esfaqueado durante uma festa no dia 19 de novembro. 

De acordo com as autoridades, o grupo queria "brigar" com jovens do bairro de La Monnaie, local de origem de alguns dos envolvidos na morte deste estudante do ensino secundário, de 16 anos. 

Nesta terça, a Assembleia Nacional observará um minuto de silêncio em homenagem ao adolescente Thomas. 

A investigação, que levou a polícia a interrogar 104 testemunhas, ainda não permitiu elucidar totalmente as circunstâncias da morte do jovem. O caso provoca uma onda de reações virulentas da extrema direita e da direita, explorando o tema da insegurança e da imigração na França. 

Na segunda-feira (27), seis pessoas foram condenadas pelo Tribunal Penal de Valence a penas de seis a dez meses de prisão por "participação de um grupo formado com o objetivo de preparar a violência" ou "degradação". 

"Estilo irlandês"

Gérald Darmanin saudou estas condenações, acreditando que a reação das autoridades e da polícia permitiu "evitar um cenário ao estilo irlandês", referindo-se aos tumultos que afetaram Dublin, na Irlanda, na semana passada, após um ataque com faca que deixou feridos. 

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Na ocasião, o brasileiro Caio Benício, de 43 anos, que  mora em Dublin e trabalha como entregador, foi o responsável por conter o homem que esfaqueou 3 crianças e 2 adultos na porta de uma escola no centro da capital. Trinta e quatro pessoas foram presas durante o protesto contra imigrantes que eclodiu após o ataque, o mais violento visto em décadas na capital da Irlanda. 

"Porque foi firme, a França evitou um cenário de uma pequena guerra civil", assegurou o ministro do Interior Gérald Darmanin, acreditando que a morte de Thomas, uma "tragédia vil", não deveria "permitir que qualquer um" se levantasse em nome do Estado para fazer justiça". 

"Há uma mobilização da ultradireita que quer nos empurrar para a guerra civil", completou Darmanin, lembrando que 12 atos de ação violenta da ultradireita foram identificados pela Procuradoria Nacional Antiterrorismo (Pnat) desde 2017 . 

Na tarde desta terça-feira, o porta-voz do governo francês lamentou que a "extrema direita crie a ideia de que há duas Franças que se opõe". Olivier Véran disse estar preocupado com um "risco de colapso na sociedade" francesa.  

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