Artista goiano é convidado para expor em Paris ao divulgar seu trabalho nas redes sociais

Gabriel Augusto, designer gráfico e artista visual formado pela Universidade Federal de Goiás, trabalhava no ramo das tatuagens. Mas, por conta da pandemia, ele passou a se dedicar exclusivamente à pintura em 2020. Pouco mais de três anos depois da mudança no seu rumo artístico, ele participa de sua segunda exposição coletiva na França. 

O coletivo artístico DF Group, cuja sigla significa Destruturalismo Figurativo, realiza pela quarta vez o DF Art Project, uma exposição anual no Parc Floral de Paris, do Bois de Vincennes, no 12º distrito da capital francesa. A instalação conta com pinturas, esculturas, desenhos, fotografias, performances e arte digital. 

De 23 de novembro a 3 de dezembro de 2023, 57 artistas participam desta exibição aberta e gratuita, que este ano conta com obras do renomado gravurista japonês, Toshihiko Ikeda, e do goiano Gabriel Augusto, de 32 anos, representante do Brasil com três obras exclusivas. 

As obras expostas em Paris fazem parte de uma série na qual Gabriel Augusto tenta trazer assuntos em evidência no momento da criação. Ele cita "escândalos religiosos" e o cenário político brasileiro durante a pandemia da COVID-19 como temas abordados em seus quadros. O artista revela à RFI suas inspirações: 

"Essas obras são de uma série em que eu trabalho principalmente o Expressionismo como linguagem primordial e a influência principal dessa série é o artista Francis Bacon. Eu usei o trabalho dele como referência e trouxe alguns elementos que estavam em evidência na época", diz. 

Francis Bacon foi um político, filósofo e cientista inglês considerado como um dos fundadores da Revolução Científica. 

O caminho até Paris 

Foi em agosto de 2020, com a impossibilidade de viajar ou expor seus quadros fisicamente, que o artista teve a ideia exibi-los nas redes sociais. Das peles às telas, Gabriel Augusto acabou despertando a atenção internacionalmente. Ele conta que foi a rede social que viabilizou a conexão dele com a França já no ano seguinte. 

"Através da rede social eu conheci um artista francês Adrien Conrad e conversando ele, ele falou de um coletivo (artístico), o DF Group que estava realizando uma exposição e ele me convidou. Pediu para eu enviar um portfólio. Através dessa oportunidade eu consegui entrar no coletivo", relata o jovem, que hoje coleciona mais de 19 mil fãs no Instagram. 

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A primeira participação de Gabriel Augusto em exposições no país foi em maio de 2022, quando os quadros dele estiveram em outra exibição do DF Group em Poitiers, centro-oeste da França. O artista visual nunca esteve pessoalmente na terra de Claude Monet, mas espera vir em 2024 para uma futura exposição na cidade luz. 

Explorando vertentes do Destruturalismo Figurativo  

Além das pinturas, Gabriel Augusto realiza esculturas atualmente em seu atelier em Goiânia. "Eu comecei a fazê-las por influência de um artista francês chamado Olivier de Sagazan", explica Gabriel Augusto ao citar o pintor, escultor e performer francês, mais conhecido por sua performance "Transfiguração", criada em 1998 e apresentada em 25 países. 

"Eu vi o trabalho dele e achei muito interessante a forma com que ele trabalhava, usando muita matéria orgânica como a juta, palha, galhos, linhas e comecei a explorar", diz Gabriel Augusto que depois de realizar uma escultura faz o acabamento em gesso e pinta a obra.  

O jovem artista destaca ainda que também passou a explorar um tipo de arte chamado de assemblage, na qual adiciona às telas objetos fora do uso convencional criando pinturas com relevos de escultura: "Para mim é a forma mais pura de expressão, porque é um trabalho que eu sinto que é essencialmente meu, não estou copiando nem seguindo referências de ninguém. É algo que estou desenvolvendo meio que do zero", detalha. 

Para seguir o trabalho do Gabriel Augusto nas redes sociais basta procurar no Instagram @gabrielaugustoart. 

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