Retomada de combates devolve Gaza a 'pesadelo' e desvia atenções do clima na COP28

O fim da trégua nos combates em Gaza e a retomada dos bombardeios de Israel à Faixa de Gaza mergulham novamente o território em um "pesadelo", lamentou nesta sexta-feira (1°) o chefe do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), à margem da COP28, em Dubai. Com a presença de líderes de 140 países, a Conferência do Clima da ONU se tornou ponto de encontro para governantes e organizações dialogarem sobre o futuro da guerra no Oriente Médio.

"As pessoas estão à beira do colapso, os hospitais estão à beira do colapso e toda a Faixa de Gaza está num estado muito precário", lamentou Robert Mardini, diretor-geral do CICV, em entrevista à AFP. A volta dos combates leva os residentes de Gaza "à situação de pesadelo em que se encontravam antes da trégua", disse, destacando "o sofrimento, o medo, a ansiedade e as condições de vida precárias" dos 2,4 milhões de habitantes do território.

Os bombardeios do exército israelense foram retomados na sexta-feira, após uma semana de trégua. Durante esse período, negociado pelo Catar com o apoio do Egito e dos Estados Unidos, 80 reféns israelenses e 240 prisioneiros palestinos foram libertados, como parte de um acordo.

O movimento islâmico palestino Hamas, que assumiu o poder na Faixa de Gaza em 2007, já registou pelo menos 32 mortes nestas primeiras horas. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusou o Hamas de ter "violado o acordo" e "disparado foguetes" contra Israel. A Jihad Islâmica, o outro grande movimento islâmico em Gaza, assumiu a responsabilidade pelos ataques com foguetes.

COP28 sob a sombra da guerra em Gaza

Em Dubai, a sombra do conflito Israel-Hamas paira sobre a Cúpula do Clima. O presidente israelense, Isaac Herzog, viajou para o evento para se encontrar com outros líderes, em plena campanha diplomática para garantir a libertação dos reféns ainda detidos na Faixa de Gaza. Ele se reunirá com o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, indicou a diplomacia do Brasil.

A presença de Herzog levou o presidente iraniano, Ebrahim Raïssi, a cancelar a sua participação na COP28, segundo a mídia oficial, e a delegação iraniana deixou a conferência em protesto. Os iranianos consideram a presença de Israel "como contrária aos objetivos e diretrizes da conferência", disse o chefe da delegação iraniana, ministro da Energia, Ali Akbar Mehrabian, citado pela agência oficial iraniana Irna.

O Rei Abdullah II da Jordânia disse que não era possível "falar sobre as alterações climáticas separadamente das tragédias humanitárias que nos rodeiam". "Estamos aqui falando de inclusão no clima. Vamos ser inclusivos para os mais vulneráveis", disse ele, citando os palestinos em Gaza e as pessoas afetadas por conflitos em todo o mundo.

O secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, fez um desvio para Dubai na sexta-feira para se encontrar com seus ministros das Relações Exteriores da região e abordar o conflito em Gaza. Os Estados Unidos estão se preparando para impor restrições de visto aos colonos israelenses envolvidos na violência contra os palestinos na Cisjordânia ocupada, disse um alto funcionário do Departamento de Estado.

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Blinken informou Netanyahu sobre a decisão durante a reunião de quinta-feira em Jerusalém, segundo a mesma fonte, especificando que tais sanções poderão ocorrer já na próxima semana. O secretário participou de um debate sobre segurança alimentar e clima na COP28.

França pede retomada de trégua

Também no evento, a França considerou que a retomada da trégua entre Israel e o Hamas é "indispensável". "O rompimento da trégua é uma notícia muito ruim, lamentável, porque não oferece nenhuma solução e complica a resolução de todas as questões que surgem", declarou a ministra francesa das Relações Exteriores, Catherine Colonna, à margem da conferência.

"Exigimos que a trégua seja retomada. É necessário. É essencial continuar a libertação dos reféns que estão em condições extremamente difíceis há 55 dias, e trazer mais ajuda humanitária e poder distribuí-la dentro da Faixa de Gaza onde a população civil está sofrendo", ressaltou a ministra francesa a jornalistas.

O presidente francês, Emmanuel Macron, encontrou-se com o egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, na manhã desta sexta-feira, e também com o israelense, Isaac Herzog. Por outro lado, uma reunião inicialmente planejada com vários líderes árabes simultaneamente não pôde ser realizada. Da mesma forma, uma reunião bilateral com o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, anunciada para sexta-feira, não aconteceu, na ausência do líder do reino petrolífero.

O chefe de Estado francês deve viajar no sábado (2)  para o Catar, que prossegue os seus esforços de mediação para promover a retomada da trégua e a libertação dos reféns.

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Com informações da AFP

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