A "guerra de nervos entre o Hamas e Israel" é destaque na imprensa semanal francesa

"Frente à dor das famílias, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi obrigado a negociar", destaca a Le Point numa reportagem sobre o drama das famílias que tiveram parentes raptados pelo grupo palestino radical Hamas. Em Tel Aviv, as fotos dos reféns estão por toda a parte, destaca o texto, que cita também "uma fila de carrinhos de bebês vazios" para simbolizar as crianças sequestradas.  

Num restaurante local, a melhor mesa foi dedicada aos desaparecidos. Os donos deixaram pratos e restos de comida como se os clientes tivessem deixado o local inesperadamente. Uma cena parecida se repete em frente ao Museu de Belas Artes de Tel Aviv, onde uma mesa para 200 pessoas foi montada para chamar a atenção para o drama dos reféns israelenses.  

A Le Point analisa o acordo de trégua entre os dois lados do conflito e refaz o passo a passo da libertação dos primeiros reféns,"numa coreografia" orquestrada pelo Hamas para mostrar ao mundo a "sua primeira grande vitória nessa guerra de nervos contra Israel". A semanal também aborda a libertação de prisioneiros palestinos, uma estratégia que o Hamas já havia pensado ao raptar mais de 200 cidadãos israelenses, cita a revista. 

No mesmo prisma, a L'Express analisa a difícil convivência entre palestinos e israelenses na cidade sagrada de Jerusalém. A reportagem da edição indica que cada vez mais israelenses portam armas de fogo, como o caso de um pai que aparece em uma foto publicada na revista segurando uma criança de cinco anos e um fuzil M16 nos braços simultaneamente, enquanto faz orações diante do Muro das Lamentações. O homem relata que tem o direito de andar armado por ser um dos 300 mil reservistas convocados pelo Exército de Israel.

A reportagem conta como é o dia-a-dia em Jerusalém, a cidade sagrada para as grandes religiões monoteístas e onde coabitam cerca de 1 milhão de pessoas. Segundo a L'Express, 60% são judeus israelenses e 40% palestinos.

A polícia israelense multiplica os controles nas áreas onde vivem os palestinos, diz o texto. Até o momento, Jerusalém tem sido poupada dos ataques, destaca ainda a revista. Porém, o clima de medo tem prejudicado a sua principal fonte de renda: o turismo. 

Já a revista L'Obs desta semana traz um perfil de Meyer Habib, um parlamentar franco-israelense que desde o ataque terrorista de 7 de outubro aparece na mídia internacional para defender a estratégia de "seu amigo próximo" Benjamin Netanyahu. Habib é descrito como uma espécie de "embaixador de honra" de Israel e uma passagem obrigatória para qualquer político francês que deseje se aproximar de Netanyahu.      

Veja também

Deixe seu comentário

Só para assinantes