Ataque com faca em Paris: agressor era conhecido por islamismo radical e distúrbios psiquiátricos

Um alemão foi morto e duas pessoas ficaram feridas na noite de sábado (2) em um ataque com faca e martelo perto da Torre Eiffel, em Paris, onde a divisão policial antiterrorismo iniciou uma investigação do ataque perpetrado por um francês conhecido por seu islamismo radical e por distúrbios psiquiátricos.

O agressor, Armand Rajabpour-Miyandoab, de 26 anos, filho de pais iranianos, foi preso pouco depois do incidente e colocado sob custódia policial. Ele atacou um jovem alemão de 24 anos com uma faca, agredindo outras duas pessoas com um martelo.

Uma investigação foi aberta por assassinato e tentativa de assassinato em conexão com uma organização terrorista e por associação terrorista criminosa, informou a promotoria de Paris. De acordo com uma fonte policial, o agressor gritou "Allah Akbar" no momento do incidente.

Ele teria dito aos policiais que o prenderam que "não suportava mais ver muçulmanos morrerem, tanto no Afeganistão quanto na Palestina" e ainda acrescentou que "se ressentia" pelo "que estava acontecendo em Gaza" e que a França seria cúmplice do que Israel estaria fazendo" lá, declarou o ministro francês do Interior, Gérald Darmanin, durante uma coletiva de imprensa no local.

"O ataque aconteceu pouco depois das 21h [pelo horário local] (...) o agressor atacou alguns turistas", informou o ministro. "O homem morreu esfaqueado" e o agressor "atacou a mulher deste turista alemão", mas sua vida foi salva "graças a um taxista que presenciou a cena".

Os dois feridos são um francês, com cerca de 60 anos, e um turista estrangeiro, de nacionalidade não foi especificada, continuou Darmanin.

 

"Perfil muito instável, facilmente influenciável"

Os investigadores irão considerar o acompanhamento médico do autor do ataque, um homem com um "perfil muito instável, muito facilmente influenciável", informou uma fonte de segurança. "Se ele foi monitorado clinicamente como deveria e como foi durante algum tempo, essa é uma questão que se colocará", acrescentou a fonte policial.

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O agressor já havia sido detido em 2016 pela Direção-Geral de Segurança Interna (DGSI) por uma ação violenta planejada em La Défense, a oeste de Paris. Na época, ele foi condenado a cinco anos de prisão e libertado após quatro anos de detenção, ainda de acordo com esta fonte.

Armand Rajabpour-Miyandoab, que vivia com os pais nos subúrbios de Paris, segundo Gérald Darmanin, publicou um vídeo nas redes sociais reivindicando a responsabilidade pelo seu ataque, confirmaram fontes policiais e de segurança. No vídeo, o agressor menciona "as notícias, o governo, o assassinato de muçulmanos inocentes", detalhou a fonte de segurança.

Nesta fase, os investigadores ainda não sabem quando o vídeo foi filmado, mas sabe que o conteúdo foi publicado online "simultaneamente" ao ato, ainda de acordo com esta fonte.

Arras

Antes do seu regresso de Doha para a França, o presidente francês, Emmanuel Macron, falou ao telefone com o ministro Gérald Darmanin sobre o ataque. "Envio todas as minhas condolências à família e entes queridos do cidadão alemão que morreu esta noite durante o ataque terrorista em Paris e penso com emoção nas pessoas atualmente feridas e sob cuidados", escreveu Macron na rede soacial X.

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"Não cederemos ao terrorismo", reagiu a primeira-ministra francesa, Elisabeth Borne. "Meus pensamentos estão com a vítima, os feridos e seus entes queridos. Saúdo a coragem e o profissionalismo das nossas autoridades policiais e dos nossos serviços de emergência mobilizados", escreveu a chefe do governo francês também no X.

Este ataque acontece menos de dois meses depois do ocorrido em Arras, no norte da França, que custou a vida a um professor em meados de outubro e motivou que o plano de segurança Vigipirate fosse elevado ao nível máximo de "ataque de emergência".

O estilo do ataque de sábado lembra episódios anteriores ocorridos na capital francesa. Em maio de 2018, um franco-russo nascido na Chechênia matou um homem com uma faca de cozinha e feriu quatro pessoas, antes de ser morto a tiros pela polícia. O ataque foi reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI).

Em fevereiro de 2017, um egípcio atacou soldados com um facão perto do Museu do Louvre, em Paris, gritando "Allah Akbar". Ele foi condenado em junho de 2021, em Paris, a 30 anos de prisão.

(Com informações da AFP)

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