Paris 2024: França vai dobrar checagens em 10 mil hotéis e restaurantes para brecar preços abusivos

A Direção-Geral de Concorrência, Assuntos do Consumidor e Controle de Fraudes da França (DGCCRF), órgão ligado ao Ministério da Economia, deverá dobrar suas verificações em hotéis e restaurantes franceses até os Jogos Olímpicos de 2024. O objetivo é analisar 10 mil estabelecimentos, a fim de garantir que os turistas "obtenham uma boa relação custo-benefício", anunciou a ministra do Turismo francesa, Olivia Grégoire, na quarta-feira (6). 

Embora os preços, especialmente em hotéis, já tenham subido bastante para o período dos Jogos Olímpicos (de 26 de julho a 11 de agosto de 2024), Olivia Grégoire disse na Sud Radio na quarta-feira que controles mais rígidos eram uma "alavanca eficaz" para limitar esses aumentos. 

O preço médio de uma diária em hotéis da região parisiense aumentou de € 169 em julho de 2023 para € 699 euros durante os Jogos Olímpicos, de acordo com uma pesquisa realizada em setembro pelo Escritório de Convenções e Visitantes de Paris (Paris Convention and Visitors Bureau). Aumentos semelhantes também são observados em plataformas de aluguel como o Airbnb. 

"Em Londres, no Rio e até mesmo em Pequim, nunca houve qualquer regulamentação de preços durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Ainda não estamos em um modelo de controle econômico", insistiu Olivia Grégoire. Mas "eu tenho um método eficaz: aumentar os controles", disse.

Em 2023, pouco mais de 600 hotéis foram inspecionados na região de Paris entre os 1.600 estabelecimentos existentes. "Todos eles serão inspecionados até os Jogos", garantiu a ministra. 

"Na França, as tarifas dos hotéis são definidas livremente", acrescentou a DGCCRF em um comunicado à imprensa. 

Verificações on-line

A organização implantou "um sistema especial de verificações on-line e presenciais no setor hoteleiro mais amplo (hotéis, centros de férias e vilas) para coincidir com grandes eventos esportivos", como a Copa do Mundo de Rugby e os Jogos Olímpicos. 

"Mais de 1.700 estabelecimentos já foram inspecionados em 2023, em particular aqueles que foram denunciados (por meio do site da SignalConso ou das prefeituras) ou que já são conhecidos pelos serviços", afirma o DGCCRF

Continua após a publicidade

E 70% dos estabelecimentos inspecionados "apresentaram pelo menos uma anomalia, de gravidade variável, que levou os serviços da DGCCRF a emitir 871 advertências, 289 medidas cautelares, 44 multas administrativas e 47 autos de notícia-crime aos profissionais envolvidos". 

Entre os problemas identificados estão: não exibição de preços no exterior e no interior dos estabelecimentos, não atribuição de notas, inexistência da classificação do estabelecimento ou propaganda enganosa, enumera o organismo. 

Essas descobertas levaram o governo a intensificar suas inspeções. 

 

Penalidades pesadas 

"Em 2023, 4.300 estabelecimentos foram inspecionados na França. Serão 10 mil até as Olimpíadas, portanto, vamos mais do que dobrar o número de verificações", disse Olivia Grégoire. 

Continua após a publicidade

Essas verificações serão feitas em hotéis, apartamentos alugados por temporada, acampamentos, restaurantes, cafés, foodtrucks, etc. e ocorrerão nos próprios estabelecimentos, nos sites dos profissionais e nas plataformas de reserva on-line, diz a DGCCRF. 

"Se os preços não forem exibidos, pode ser um erro e isso é repreensível. Se os preços exibidos não são os pagos, o consumidor também tem o direito de divulgar isso e reclamar", ressaltou a ministra. "O importante é que os consumidores sejam informados sobre o preço que devem pagar", continuou. 

Ela acrescentou que "900 agentes" da DGCCRF, ou seja, "um terço do total de funcionários dessa administração, serão mobilizados para controlar os preços, a saúde e o bom andamento dos Jogos Olímpicos". 

"Estou pedindo a todos que sejam responsáveis, hoteleiros, donos de restaurantes. É essencial que os turistas, sejam franceses ou estrangeiros, tenham uma boa relação custo-benefício. Se não for esse o caso, eles (os profissionais) poderão ser penalizados", enfatizou. 

Por sua vez, a DGCCRF convidou os consumidores franceses e estrangeiros a relatar quaisquer problemas que encontrarem com um profissional no site e no aplicativo SignalConso, que também está disponível em inglês. 

(Com informações da AFP)

Veja também

Deixe seu comentário

Só para assinantes