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'Não tenho adjetivos para descrever o que vivemos', diz prefeita de cidade da Espanha atingida por chuvas

Pedestres ficam ao lado de carros empilhados após inundações mortais em Sedavi, ao sul de Valência, leste da Espanha Imagem: JOSE JORDAN/AFP

Da RFI

30/10/2024 16h42Atualizada em 30/10/2024 17h56

As autoridades da Espanha confirmaram a morte de 70 pessoas na região de Valência, um na província de Málaga e dois em Castilla-La Mancha. O governo anunciou três dias de luto oficial no país e a União Europeia anunciou nesta quarta-feira (30) que estava pronta para ajudar a Espanha.

As autoridades da Espanha confirmaram a morte de mais de 90 pessoas. O governo anunciou três dias de luto oficial no país e a União Europeia anunciou nesta quarta-feira (30) que estava pronta para ajudar a Espanha.

A região de Valência, na costa mediterrânea, foi atingida na noite de terça-feira (29) por uma depressão isolada em níveis atmosféricos altos, chamado de DANA, um fenômeno meteorológico que causa fortes ventos e chuvas repentinas.

A tempestade causou as maiores inundações dos últimos anos em diversas cidades da região, surpreendendo moradores em suas casas e carros. Este foi o caso do consultor Iego Morel, de 24 anos, que estava voltando para casa em Valência, de Alicante, quando foi surpreendido pela tempestade.

"Em 10 minutos tudo mudou. Ficamos presos na estrada três horas", relatou à RFI. "A 200 metros havia um rio que transbordou e atravessou a pista, atrás de nós. Quando abriram a estrada vimos 400 metros de caminhões, carros com luzes de emergência acesas, boiando, caminhões que capotaram. Foi então que vimos a realidade, carros esmagados que tinham voado, apocalíptico, catastrófico", disse Morel.

Dezenas de pessoas passaram a noite de terça-feira em Valência em cima de caminhões e carros, ou refugiados em telhados de casas e lojas, até serem resgatadas.

Além disso, as chuvas também provocaram apagões que afetam cerca de 120 mil pessoas, bloqueio de estradas e a suspensão do tráfego ferroviário.

"Não tenho adjetivos para descrever a situação que vivemos", disse à RFI Elia Ferrer, prefeita da cidade de Alginet, ao sul de Valência. "Mas hoje, como a chuva nos deu uma trégua, a verdade é que fizemos o que pudemos, recolhemos as árvores e tudo que pudemos recolher", disse informando que a circulação e os acessos à cidade continuam bloqueados. "Não foram restabelecidas as conexões para um tráfego fluido."

"Precisamos agora calcular economicamente todos os danos, temos que fazer uma análise do estado de alguns edifícios. Calcular economicamente o que vai nos custar para voltar à normalidade", disse a prefeita.

Ajuda europeia

O ministro de Política Territorial espanhol, Ángel Víctor Torres, anunciou três dias de luto oficial e que o governo vai declarar a região como "altamente afetada" pelo DANA. Ele prometeu direcionar ajudas estatais, mas também de fundos europeus. A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, se comprometeu, nesta quarta-feira, a "ajudar" a Espanha.

As buscas por corpos de pessoas que podem ter ficado presas em carros e em casas continua nesta quarta-feira. O temporal se dirige agora para a Catalunha, Aragón, Extremadura, Navarra e o oeste da Andaluzia.

Nas redes sociais, moradores da região publicaram nesta quarta-feira imagens, chamando a situação de "catástrofe inédita" e de "dilúvio".

As águas do Mediterrâneo batem recordes de calor a cada ano. Fenômenos metodológicos extremos como o que atinge a região, mostram o impacto das mudanças climáticas em uma zona costeira particularmente exposta, como explica à RFI Aurélien Ribes, pesquisador do grupo de Análise e Modelização da Atmosfera, do Clima e da Sensibilidade (AMACS), do Centro Nacional de Pesquisas Meteorológicas da França.

"Temos informação suficiente hoje para dizer que a mudança climática, aquecendo a atmosfera, aumenta a quantidade de vapor de água disponível, induzindo a episódios de forte precipitação que acabam sendo mais intensos e mais frequentes como este", afirma.

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