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PT se alia à oposição para evitar perda de cargos na Câmara

Daniela Martins

01/02/2013 17h12

O PT se aliou aos rivais DEM e PSDB nesta sexta-feira em um bloco partidário para evitar a perda de espaço na Mesa Diretora da Câmara. A união desses partidos foi uma reação dos maiores partidos da Casa à formação de um bloco do PTB, PV, PPS e PRB. Esses partidos buscavam um cargo no comando da Casa e formalizaram a aliança nesta manhã.

A movimentação de PTB-PV-PPS-PRB pegou muitas siglas de surpresa, já que, desde o início de 2011, os partidos tinham um acordo que estabelecia a escolha dos cargos com base no tamanho das bancadas e não previa a formação de blocos partidários para alterar essa regra. O prazo para a formação de blocos parlamentares se encerrou hoje e houve movimentação de partidos tentando reunir o número mínimo de assinaturas para não serem prejudicados com o possível rearranjo das bancadas.

O grupo formado por PT, PSDB, PSD, PP e DEM já estava preparado para uma possível manobra e, segundo o deputado Mendonça Filho (DEM-SE), já havia reunido a quantia necessária de assinaturas anteriormente para lançar um bloco. Partidos como o PMDB, por outro lado, não conseguiram apresentar o número mínimo de assinaturas para formar o bloco e ficaram sozinhos.

Pelo critério de proporcionalidade que rege a ocupação dos cargos da Mesa Diretora, os partidos com o maior número de parlamentares têm a prioridade para a escolha das vagas do comando da Casa. No entanto, as siglas podem se agrupar em blocos parlamentares, quando a soma do número de deputados dos partidos coligados é considerada para efeitos da escolha de cargos.

Segundo informações da Secretaria Geral da Mesa da Câmara, o bloco PTB-PV-PPS-PRB totaliza 46 parlamentares e esses partidos, que antes não tinham direito a vaga no comando da Casa, será a oitava bancada a escolher uma das 11 vagas da Mesa Diretora. Os técnicos da Câmara ainda não sabem qual sigla será prejudicada com a manobra dos partidos, mas afirmaram que os maiores partidos da Casa continuam com direito às principais vagas da Mesa.

A movimentação dos quatro partidos que não teriam espaço na Mesa Diretora, segundo o critério de tamanho das bancadas, gerou irritação entre os partidos. O líder do PSB na Casa, deputado Beto Albuquerque (RS), não escondeu o incômodo com a manobra. "Nossa indignação é pela palavra não ter valor no Congresso Nacional. O acordo de 2011 todo mundo assinou. Muda-se a regra, rasga-se a palavra para quase nada", declarou. Albuquerque destacou que seu partido não perde seu espaço na Mesa, mas apontou que o clima na Casa é prejudicado com a situação. "É um início de ano melancólico", completou.

O líder do PPS na Casa, deputado Rubens Bueno (PR), afirmou que a medida foi tomada para evitar a perda de espaço em comissões com a entrada do PSD no cálculo de divisão dos espaços da Câmara. No entanto, ele disse que vai levar à reunião de líderes que acontece hoje à tarde a proposta para que os novos blocos seja dissolvidos. Isso desde que se chegue a um acordo sobre as vagas nos colegiados da Casa.