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Assembleia abriga "foragidos" e mais de 200 policiais armados, diz presidente do Legislativo da Bahia

Carlos Madeiro

Do UOL, em Maceió

06/02/2012 11h55

O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo (PDT), disse nesta segunda-feira (6) que pediu ao Exército a desocupação do prédio-sede -ocupado por policiais militares em greve desde a terça-feira (31)- porque “o poder legislativo não pode servir de esconderijo para os foragidos da lei.” Segundo Nilo, há cerca de 200 a 250 policiais armados dentro do prédio.

Na manhã desta segunda-feira, o prédio da Assembleia foi cercado por militares da Força Nacional de Segurança e do Exército, a pedido do chefe do legislativo. O clima no local é de tensão, já que haveria resistência dos militares em deixar o edifício.

“Durante sete dias conversamos com os grevistas para chegarmos a um denominador comum. Infelizmente não chegamos a um acordo, e eu preciso voltar à normalidade. Não tive outra alternativa a não ser procurar o general Gonçalves Dias [comandante da 6ª Região Militar]. E é público que existem 12 mandados de prisão em aberto, de pessoas que aderiram à greve, ou fizeram baderna, ou outro motivo, que não me cabe julgar. E eu não posso abrigar foragidos. Seria um ato de insubordinação”, afirmou o deputado, em entrevista à rádio Sociedade.

Segundo o deputado, existem entre 200 e 250 policiais armados ocupando os corredores da Assembleia. “É inaceitável uma greve com pessoas armadas. É absurdo você ter, no legislativo, pessoas sem camisa, de bermuda, utilizando os recintos armados. É inusitado e preocupante, e não podemos aceitar isso. Os servidores não estão indo trabalhar porque estão com medo. Os deputados também. E pedi para as forças da segurança que devolvam o prédio, não pedi para invadir. Vivemos um regime democrático e precisamos voltar à normalidade”, disse.

Para o deputado, o governo do Estado agiu corretamente ao pedir socorro ao Ministério da Justiça. “O governador Jaques Wagner fez correto em pedir segurança pública à população. Sabemos que as reivindicações salarias são legítimas. Mas se as pessoas fazem greve, ocupam um poder com armas em punho, durante sete dias, estamos passando do limite”, opinou.

Marcelo Nilo ainda criticou a postura dos policiais, que estariam levando “terror” à população. “Eles fizeram concurso para dar segurança ao povo baiano. É inaceitável que eles façam barreiras e parem ônibus, apontando armas para a cabeça dos motoristas. Eles estão criando um clima de insegurança”, disse.