Com greve no metrô, prefeitura suspende rodízio em São Paulo

Do UOL, em São Paulo

  • Haroldo Júnior/ Futurapress/Agência Estado

    Foto de abril de 2012 mostra plataforma da estação Sé do Metrô de São Paulo, sentido zona leste, completamente lotada

    Foto de abril de 2012 mostra plataforma da estação Sé do Metrô de São Paulo, sentido zona leste, completamente lotada

A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) da Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio municipal de veículos nesta quarta-feira (23) por conta da greve dos metroviários e dos trabalhadores de duas linhas da CPTM (Companhia Paulista dos Trens Metropolitanos), decidida em assembleias hoje (22). Com isso, os carros com placas finais 5 e 6 poderão circular no centro expandido da capital.

O órgão implantará um plano operacional com o objetivo de minimizar os impactos no trânsito. A operação irá focar os corredores que dão acesso às estações de metrô.

A SPTrans --estatal municipal responsável pelos ônibus municipais-- irá acionar o Paese (Plano de Atendimento entre Empresas de Transporte em Situação de Emergência). As linhas de ônibus que operam com destino às estações de metrô serão estendidas até a região central da capital.

Greves

Os trabalhadores do Metrô de São Paulo e das linhas 11-coral (Luz/Estudantes) e 12-safira (Brás/Calmon Viana) da CPTM decidiram em assembleias realizadas nesta terça-feira (22) entrar em greve a partir da 0h desta quarta-feira (23).

Segundo o sindicato dos metroviários de São Paulo, trabalhadores que entrariam no turno da noite nesta terça já estão em greve --para atender os usuários até a meia-noite, funcionários da tarde vão prolongar o expediente.

No caso do Metrô, não funcionarão as linhas 1-azul, 2-verde, 3-vermelha e 5-lilás. A linha quatro-amarela, por pertencer a um consórcio, não deverá ser afetada pela paralisação.

A decisão foi tomada depois de uma audiência entre representantes do sindicato e da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), realizada à tarde, no TRT (Tribunal Regional do Trabalho), e que terminou sem acordo.

Os metroviários exigiam 5,13% de reposição salarial e 14,99% de ganho real e criticavam o fato de as contratações não terem sido suficientes para atender o número maior de passageiros transportados. Com a operação da linha 4-amarela, o movimento de passageiros aumentou para 4,4 milhões de pessoas por dia.

O estado de greve foi decretado pelos trabalhadores em assembleia realizada no último dia 16 –mesmo dia em que um acidente envolvendo dois trens na linha 3-vermelha deixou 49 pessoas feridas.

A categoria também exige equiparação salarial, jornada de 36 horas semanais e adicional de risco de vida de 30%.

O Metrô propôs reposição de 4,67% e 0,50% de aumento real a partir da data-base de 1º de maio, além de reajuste no vale-alimentação e no auxílio-creche também no índice de 4,67%. A companhia informou ainda que mantém a PLR (Participação nos Lucros e Resultados) para os metroviários.

Já os ferroviários querem aumento de 7,05%, além de tíquete refeição no valor de R$ 21,50. A proposta da CPTM é de reajuste de 6,17% e tíquete refeição de R$ 19,50.

As negociações da categoria com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos começaram em março e as tratativas passaram a ser intermediadas pela Justiça trabalhista em maio, sem previsão de data de realização.

O Sindicato dos Ferroviários de São Paulo convocou uma assembleia para a tarde desta quarta-feira (23) para definir sua posição.

Outros Estados

Greves de ônibus, trens urbanos e metrô causam transtornos a cerca de 900 mil pessoas em capitais do nordeste. Em Maceió, João Pessoa e Natal, os trens fazem apenas 30% das viagens diárias. No Recife, o metrô opera há oito dias com 50% das viagens e em horários de pico – das 5h às 9h e das 16h às 20h.

Segundo a CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos), são 300 mil pessoas prejudicadas. A greve dos servidores completou oito dias nesta terça-feira (22).

Em São Luís, os rodoviários endureceram a paralisação nesta segunda-feira (21), e 100% dos ônibus estão parados nas garagens. Segundo as empresas de ônibus, 600 mil usuários circulam pelos coletivos na capital e região metropolitana. A greve teve início na terça-feira da semana passada (15).

O metrô em Belo Horizonte também está paralisado desde o dia 14, afetando o cotidiano de aproximadamente 215 mil pessoas na capital mineira. Lá, os trens só funcionam nos horários de pico – das 5h20 às 8h30 e das 17h às 19h30.

O Rio Grande do Sul também sofreu nesta segunda-feira (21) com uma paralisação de 24 horas da Trensurb. O Sindicato dos trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviário e Conexas do Estado do Rio Grande do Sul reivindica reajuste de 21,51% nos salários.

 

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