Em clima pacífico, cerca de 40 mil pessoas protestam no Rio contra aumento da tarifa de ônibus

Julia Affonso e Hanrrikson de Andrade
Do UOL, no Rio

  • Christophe Simon/AFP

    Manifestantes protestam no centro do Rio de Janeiro contra as tarifas de transporte público

    Manifestantes protestam no centro do Rio de Janeiro contra as tarifas de transporte público

Em clima pacífico, cerca de 40 mil pessoas participam no início da noite desta segunda-feira (17) do quinto protesto contra o aumento da passagem de ônibus no Rio de Janeiro. A informação foi passada pela Polícia Militar, que esperava até dez mil pessoas. Os manifestantes, que iniciaram o protesto às 17h23, fecharam a avenida Rio Branco, uma das principais vias do centro da cidade, e caminham em direção à Cinelândia.

Um dos vários grupos que organizaram a passeata --eles afirmam que o movimento não possui uma liderança específica-- está organizando uma "vaia coletiva" para a presidente da República, Dilma Rousseff, no decorrer do ato. "Essa vaia vai ecoar no Brasil inteiro. A gente não vai parar enquanto o aumento não for suspenso. Queremos um transporte de qualidade", afirmou a estudante Priscilla Guedes, 23.

Os manifestantes reclamam do aumento de R$ 2,75 para R$ 2,95, cujo reajuste entrou em vigor no dia 1º de junho. O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), já sinalizou publicamente não pretender revogar o aumento, pois o mesmo está "dentro de regras estabelecidas em contrato".

"Não são vinte centavos. Isso é uma demanda reprimida, reflexo da falta de perspectiva dos jovens. O transporte também é péssimo. Andamos em chassi de caminhão travestido de ônibus", disse o desempregado Carlos Piragibe, 56, que participa de sua segunda passeata. "Vim em duas e voltarei em todas que tiverem", completou.

Acompanhados por três carros da Polícia Militar e mais de 150 agentes do 5º BPM (Praça Tiradentes), os manifestantes entoam palavras de ordem e cânticos de protesto. Uma das canções tem a seguinte mensagem: "Se a passagem não baixar, o Rio vai parar". Os organizadores da passeata improvisaram uma banda formada por jovens ritmistas.

O primeiro pelotão de manifestantes traz consigo uma grande faixa amarela que diz: "Não é por centavos, é por direitos". Além disso, muitas pessoas exibem flores brancas e pedem para que os curiosos tomem a avenida Rio Branco: "Vem, vem, vem para a rua vem", gritam eles.

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Além da principal reivindicação, a do aumento da passagem, há pessoas que expõem suas opiniões em relação a outros assuntos polêmicos, tais como a aprovação da PEC 37, a paralisação do bondinho de Santa Teresa, as péssimas condições do sistema público de ensino, entre outros.

Metrô

Muitos manifestantes utilizam o metrô para chegar ao ponto de concentração do protesto, e há grande movimentação de passageiros nas estações Carioca, Cinelândia e Uruguaiana. De acordo com a concessionária MetrôRio, o metrô funciona como se estivesse em horário de pico desde 16h desta segunda-feira, com 42 trens em circulação, o que representa o máximo da frota. Os intervalos são de quatro minutos e meio.

Protestos contra o aumento da tarifa do transporte coletivo
Protestos contra o aumento da tarifa do transporte coletivo

No Twitter, há relatos de usuários que supostamente bolsas e mochilas revistadas dentro das estações. A PM ainda não se pronunciou a respeito.

Na última quinta-feira (13), data do última manifestação organizada pelo MPL (Movimento Passe Livre), a circulação de passageiros no metrô do Rio de Janeiro foi 30% maior em comparação com o horário de pico dos dias úteis. Pelo menos 2.000 pessoas participaram do protesto contra o aumento do valor das passagens.

O estudante Philippe Brissant de Andrade Lima, 19, foi levado para o Hospital Municpal Souza Aguiar, no centro do Rio, após ser atingido por um tiro de bala de borracha no olho. Ele foi encaminhado ao centro cirúrgico do hospital. Um PM do 5º BPM também foi encaminhado ao hospital após levar uma pedrada na cabeça, mas foi liberado em seguida.

 

Policiamento reforçado

A Polícia Militar do Rio de Janero destacou 150 homens e mulheres do batalhão da Praça Tiradentes, o 5º BPM, para acompanhar a quinta manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus. Em relação ao ato da última quinta-feira (13), houve reforço de 50 agentes. Desde o dia 1º de junho, a passagem de ônibus no Rio aumentou de R$ 2,75 para R$ 2,95.

A PM não informou se a Tropa de Choque estará presente e nem a quantidade de pessoas esperadas para o protesto. Há quatro dias, os homens do BPChoque ficaram aquartelados e só foram acionados no fim do protesto, quando houve confronto com manifestantes na avenida Presidente Vargas e nas imediações da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Prédios foram pichados e 19 pessoas foram detidas. A Tropa de Choque usou bombas de gás lacrimogêneo para conter os manifestantes, que atearam fogo a pneus e em sacos de lixos.

Já a CET-Rio (Companhia de Engenharia de Tráfego) colocará 60 homens a mais, resultante em um efetivo de 140 controladores, para organizar o trânsito no centro da cidade. Quatro painéis de mensagens variáveis também já foram movimentados para orientar os motoristas quanto a eventuais desvios.

O COR (Centro de Operações Rio) irá monitorar toda a área, permitindo que técnicos da CET-Rio façam imposições nos tempos dois sinais além de orientar as equipes de campo.

No perfil oficial da manifestação no Facebook, mais de 65 mil pessoas confirmaram presença na quinta manifestação contra o aumento da passagem de ônibus, que começará às 17h, na Candelária.

Confira os quatro dias de protesto em imagens

  • Barras de ferro e pedaços de material de construção amanhecem em palco de protesto

  • Protestos pelo mundo, como este em Berlim, manifestam apoio aos atos no Brasil

  • Fotógrafos protestaram contra a violência da PM em relação aos jornalistas

  • Manifestante preso no protesto no dia 11 é solto em SP

  • Policial atinge cinegrafista com spray de pimenta

  • PM agride clientes de um bar na avenida Paulista

  • Policial atira bombas contra manifestantes

  • Cartaz faz referência à música Cálice, de Chico Buarque, escrita durante a ditadura

  • Manifestantes se ajoelham para tentar se proteger de ação policial

  • Mulher anda de bicicleta em meio a confronto entre policiais e manifestantes

  • Garota segura flor enquanto usa orelhão pichado durante protesto

  • Mulher é ferida na cabeça ao passar por confronto entre polícia e manifestantes

  • Policial atira contra manifestantes em rua do centro de São Paulo

  • Vídeo mostra policial quebrando o vidro do próprio carro da polícia em SP

  • Manifestante faz sinal da paz para policiais

  • Policial Militar aponta arma para se defender de agressores

  • Manifestantes se ajoelham diante de PMs durante protesto na avenida Paulista

  • Policial tenta apagar fogo provocado por manifestantes

  • Manifestantes fazem fogueira durante protesto contra o aumento das passagens

  • Manifestantes tomam a avenida Paulista no segundo protesto

  • Multidão participa do primeiro protesto contra a aumento na tarifa de ônibus

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