Sobe para 12 número de mortos após chuvas em Itaoca (SP); Estado tem 14 óbitos

Do UOL, em São Paulo

A Defesa Civil do Estado de São Paulo informou, na tarde desta terça-feira (14), que o número de mortos em Itaoca, no Vale do Ribeira (a 347 km de São Paulo), subiu para 12. A cidade ficou parcialmente destruída após uma forte chuva e inundações causadas pelo transbordamento do rio Palmital.

CIDADE FICA NO VALE DO RIBEIRA (SP)

Ainda segundo a Defesa Civil, cerca de cem residências foram afetadas e 83 famílias, totalizando 332 pessoas, estão desalojadas na cidade. O órgão também informou que há pessoas desaparecidas, mas não disse o número. Até segunda-feira (13), quando ainda eram contabilizados oito mortos no município, as autoridades consideravam que dez pessoas estavam desaparecidas.

No Estado, outras duas pessoas morreram por causa das chuvas desde domingo (12). Uma morte foi registrada em Ilha Solteira, distante 672 km de São Paulo, depois de um vendaval derrubar uma árvore. A outra foi no Guarujá, litoral paulista, após um raio atingir uma mulher.

Em Itaoca, uma força-tarefa do Corpo de Bombeiros trabalha no resgate e no apoio às vítimas. Compõem a equipe 15 bombeiros, quatro cães farejadores e cinco carros. O governo do Estado também disponibilizou produtos de higiene e limpeza, além de colchões.

Municípios vizinhos (Apiaí e Ribeira) e o DER (Departamento de Estradas de Rodagem) disponibilizaram caminhões e uma retroescavadeira para auxiliar nos trabalhos de limpeza e desobstrução das vias. A Sabesp fornece ainda água potável e caminhão pipa para limpeza das ruas.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), esteve na cidade desde ontem e hoje. Ele passou a noite na região e voltou para a capital na tarde desta terça. Em entrevista ao "Bom Dia São Paulo" da Rede Globo, Alckmin afirmou que a chuva que afetou Itaoca foi tão forte que "desceu serra, desceu árvores, desceu tudo" pelo rio Palmital.

Chuva forte provoca mortes no interior de São Paulo

"A tarefa agora é desobstruir o rio Palmital. A desobstrução é necessária, para caso haja outra chuva não ter o alagamento da cidade", disse Alckmin. "Uma ponte antiga, com muitos pilares, vai ter de ser refeita em arco para não ocasionar mais a obstrução [do rio]."

Segundo o governador, a prioridade na cidade é "salvar vidas, procurar os desaparecidos e abrigar quem está desabrigado."

Alckmin chegou a Itaoca na segunda-feira (13) e sobrevoou as áreas mais atingidas. A previsão era de que o governador retornasse para a capital paulista, onde lançaria na manhã desta terça o programa Trato na Escola. O evento foi cancelado e Alckmin passou a noite na cidade de Apiaí. 

Segundo o governador, após o auxílio aos desabrigados e a busca dos desaparecidos, a prioridade será reconstruir a cidade.

Alckmin afirmou que conversou com muitos moradores de Itaoca e que os mais idosos disseram que nunca haviam visto uma chuva tão violenta.

"Estamos em uma região serrana. A água vem com muita força. Eu percorri toda a cidade. As pessoas mais antigas dizem que não viram uma tromba d'água tão violenta. Ela foi muito localizada", declarou.

Cidade está parcialmente destruída

O município, de 3.200 habitantes, teve pontes e outras ligações viárias destruídas pelas cheias. Por volta de cem moradias foram afetadas. O rio Palmital (cujo nível subiu até cinco metros, conforme a prefeitura) e outros cursos d'água que cortam a cidade transbordaram devido à chuva.

Ajuda

As cidades vizinhas ao município de Itaoca (344 km de São Paulo) na região do Vale do Ribeira, no interior de São Paulo, estão recebendo donativos para as vítimas das chuvas que castigaram a região

Na segunda, o prefeito Rafael Rodrigues Camargo (PSD) decretou estado de calamidade pública em Itaoca. "Ele fez isso a fim de ter respaldo para conseguir ajuda financeira mais rápida e usar verba da prefeitura em obras emergenciais", disse o chefe de gabinete da prefeitura, João Batista Belisário.

"Vai demorar até sabermos exatamente o [dinheiro necessário para reparo do] prejuízo", salienta.

Pior cheia em 20 anos, diz morador

O empresário Ivan Edson, residente em Itaoca há 20 anos, afirma nunca ter visto situação semelhante na cidade. "Essa enchente foi incomum. Foi uma chuva torrencial na serra (do Mar), entre Apiaí e Itaoca, e a chuva veio toda para cá".

Edson relata que "parte do comércio 'foi embora'. Açougue, farmácia, loja de roupas, loja de móveis... Não tive prejuízo porque estou na parte alta da cidade", comenta ele, proprietário de uma pousada e uma emissora de rádio locais.

A Prefeitura de Itaoca pede doações de água, colchões, cobertores e alimentos, mediante contato com o Fundo Social de Solidariedade do município, pelo telefone (15) 3557-1143.

"Ainda não abrimos conta bancária porque as agências daqui também foram inundadas", salienta o chefe de gabinete, João Batista Belisário.

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