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Greve de agentes afeta 38% dos presídios de SP, diz sindicato

Do Estadão Conteúdo, em Presidente Prudente (SP)

10/03/2014 10h40

A greve dos agentes penitenciários paulistas, que começou nesta segunda-feira (10), já paralisa 60 dos 158 presídios do Estado de São Paulo, o que representa 38% das unidades. Ao menos 15 mil profissionais cruzaram os braços.

"É metade da categoria, que tem 30 mil agentes", contabiliza Daniel Grandolfo, de 33 anos, presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Estado de São Paulo(Sindasp), com sede em Presidente Prudente e que tem sete mil associados.

O QUE NÃO FUNCIONAO QUE FUNCIONA
VisitasProcedimentos disciplinar (RDD, castigos, cela solitária)
Atividades esportivasBanho de sol (exceto se houve risco de motim)
"Jumbo" (entrega de comidas e produtos)Cozinha
EscolaServiço de cartas
Atividades esportivas 
Atendimento a advogados, oficiais de Justiça e outros profissionais 
Recebimento de presos de cadeias públicas 
Blitz geral 

Ele prevê a adesão total nas próximas horas. "Começou [a greve] com 20 presídios, nós esperamos a adesão em todos os presídios", afirma, observando que a greve cresce também na capital. Reajuste salarial de 20% e mudanças nas promoções são as principais reivindicações.

"Até agora, o governo do Estado não ofereceu nenhum reajuste. Nós queremos também a redução de classes [níveis de promoções]. Existem oito níveis, o agente precisa trabalhar 35 anos para chegar ao nível oito e isso é humanamente impossível. A nossa proposta é reduzir de oito para seis níveis, o que pode ser alcançado com 25 anos de serviço", conta o sindicalista.

Os agentes não deixarão de atender os presos durante a greve. "Serviços essenciais serão mantidos, eles [detentos] terão atendimento médico, alimentação e banho de sol. Alvará de soltura também será cumprido", avisa Grandolfo, que está percorrendo presídios no oeste paulista, onde existem 23 unidades prisionais.

Todos os 158 presídios do Estado de São Paulo estão superlotados, de acordo com o presidente do Sindasp. "A capacidade dos 158 é para 118 mil presos e, atualmente, estão com 210 mil. A greve será discutida nesta terça-feira em uma reunião no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

Reivindicações

A categoria exige recomposição salarial de 20,6%, aumento real de 5% e redução de oito para seis no número de classes de agentes para facilitar a ascensão na carreira. “Para conseguirmos todas as promoções, é preciso 35 anos. Queremos reduzir esse tempo para 25 anos”, disse Grandolfo. Os trabalhadores também exigem o fim da superlotação nos presídios e mais segurança no trabalho.

A expectativa do sindicato é que haja adesão dos agentes de 80% das penitenciárias do Estado. O presidente do Sindasp afirmou que será respeitado o percentual mínimo de 30% agentes trabalhando.

De acordo com o Sindasp, haverá uma reunião com a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) na próxima terça-feira (11).

A secretaria não comentou a situação nas unidades prisionais e informou por meio de nota que "desde quinta-feira da semana passada, os presidentes de todos os sindicatos que atuam no sistema prisional paulista têm conhecimento de que foi agendada para amanhã, dia 11/3, uma reunião na  Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento, com o objetivo de discutir a pauta por eles apresentada".