Sempre haverá fracassos --o importante é o que vem depois

Richard Branson

Richard Branson

Quando você investe em uma empresa, não está investindo em seus produtos --está investindo em suas pessoas. Quando um empresário me procura para fundar uma empresa ou investir em uma já existente, meu primeiro instinto é avaliar o empresário antes de me decidir sobre o plano.

Se aquela pessoa parecer inteligente, equilibrada, enérgica e apaixonada por suas ideias e seu ramo, será muito maior a probabilidade de eu trabalhar com ela. É claro, a exigência seguinte é que o empresário tenha um plano de negócios instigante e inovador, que preencha uma lacuna existente no mercado ou abale um setor cansado que está pronto para ser sacudido.

No início de 2014, investi em uma empresa de viagens compartilhadas chamada Sidecar, depois de participar de uma rodada de financiamento liderada pela Union Square Ventures e a Avalon Ventures. A Sidecar estava abrindo caminho no setor de viagens compartilhadas [ou transporte privado urbano], oferecendo uma nova opção que permitia que os motoristas pegassem vários passageiros, ou uma combinação de passageiros e encomendas, e transferissem a economia aos clientes.

Eu me animei a investir porque estava interessado pela economia de compartilhamento e em particular pelas viagens compartilhadas (também investi na Uber e na Hailo).

Dada a onipresença dos smartphones, pensei anos atrás que seria inevitável que a tecnologia se cruzasse com as redes de transporte cotidiano para promover uma economia "on-demand" mais robusta. E isso aconteceu, graças ao sucesso de empresas como Sidecar e Uber. Os modelos de empresas de economia compartilhada hoje abrangem tudo, de hotéis a artigos domésticos, e milhões de pessoas se beneficiaram.

Eu também apreciei a oportunidade de apoiar empresários que eu respeitava e que faziam coisas interessantes. Tinha trabalhado com um dos fundadores da Sidecar, Sunil Paul, em 2010, quando lançamos os prêmios Carbon War Room"s Gigaton, que celebram e promovem os líderes que se destacam pela sustentabilidade em suas indústrias.

Como eu acreditava que houvesse espaço para concorrência no mercado de viagens compartilhadas, estava ávido para ver o que Sunil e sua equipe conseguiriam fazer.

Em 30 de dezembro a Sidecar mudou de direção. Embora continuasse inovando, a empresa simplesmente não estava crescendo em um ritmo que pudesse competir com os líderes no mercado de viagens compartilhadas.

"Este é um ponto de inflexão para a Sidecar, quando nos preparamos para encerrar nosso serviço de viagens e entregas para trabalharmos em alternativas estratégicas e abrir caminho para o próximo sucesso", escreveram Sunil e seu cofundador, Jahan Khanna, em uma mensagem online.

Alguns dias depois, o empresário e comentarista Om Malik sugeriu em "The New York Times" que a experiência da Sidecar representava uma mudança em toda a paisagem empresarial, e que "a maior parte da concorrência no Vale do Silício hoje ruma para haver um vencedor monopolista".

Om também afirmou que "o Google, o Facebook e talvez a Uber são indicadores de algo maior: em nossa era conectada, dados, infraestrutura e algoritmos dão às empresas uma clara vantagem. Com todo o respeito a Branson, é um mundo em que o vencedor leva tudo".

Eu entendo o ponto de vista de Om, mas acho que a concorrência está tão saudável quanto sempre foi. A nova economia não precisa necessariamente levar a monopólios; pelo contrário, pode promover a criação de nichos adicionais onde mais empresas podem operar.

Sempre houve baixas nos negócios, conforme companhias individuais tornam-se grandes líderes em seus mercados enquanto outras vacilam. Mas se eu tivesse de citar uma característica que todos os grandes empresários têm em comum seria a capacidade de se recuperar do fracasso. Eu falhei mais vezes do que posso me lembrar, e tenho certeza de que falharei mais inúmeras vezes.

No entanto, nunca deixarei que isso me preocupe. As lições que aprendo durante os tempos difíceis tornam possíveis os bons tempos. Se eu tivesse parado quando menino, quando meu negócio de criação de periquitos faliu, nunca teria iniciado a revista "Student". Se eu tivesse desistido quando a Virgin Atlantic foi pressionada pela British Airways, nossas três companhias aéreas globais não estariam voando hoje.

Enquanto o novo ano é uma época de esperança no futuro e para fazer novos planos, também é um ótimo momento para refletir sobre o que não funcionou e como melhorar nos próximos meses e anos. Tendo isso em mente, foi ótimo ver que Sunil e o resto da equipe da Sidecar estão ansiosos para retomar seu pensamento empresarial e planejar sua próxima fase.

"Isto é o fim do caminho do serviço de viagens e entregas Sidecar, mas de modo algum o fim da viagem para a companhia", escreveram eles. Estou entusiasmado para ver o que eles inventarão a seguir.

Além de um plano de negócios

Como investidor, você sabe que grande parte do sucesso de uma startup dependerá de seu plano de negócios. Mas também tenha em mente que você precisa ser capaz de trabalhar estreitamente com seu fundador, portanto seus primeiros instintos sobre ele também são importantes.

Quando vocês se encontrarem, certifique-se de que:

-- Você tem certeza de que ele é inteligente, mas equilibrado. Um líder inteligente toma decisões conscientes e poderá lidar com os obstáculos que a empresa enfrentará inevitavelmente.

-- Ele demonstra energia e paixão sobre sua ideia. Isto é chave porque a paixão deve conduzir o objetivo em qualquer empresa.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Richard Branson

O megaempresário inglês é criador do grupo Virgin, que tem 200 companhias em mais de 30 países, incluindo a empresa aérea de baixo custo de mesmo nome.

UOL Cursos Online

Todos os cursos