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Mais um vexame federal: ministro cai antes da posse

Ricardo Kotscho

Ricardo Kotscho, 72, paulistano e são-paulino, é jornalista desde 1964, tem duas filhas e 19 livros publicados. Já trabalhou em praticamente todos os principais veículos de mídia impressa e eletrônica. Foi Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República (2003-2004). Entre outras premiações, foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Direitos Humanos da ONU, em 2008, ano em que começou a publicar o blog Balaio do Kotscho, onde escreve sobre a cena política, esportes, cultura e histórias do cotidiano

Colunista do UOL

30/06/2020 17h20

Foi como a noiva abandonada ao pé do altar: o ex-quase futuro ministro da Educação, Carlos Decotelli, caiu antes de tomar posse no cargo, para o qual foi nomeado faz apenas cinco dias.

Nesta terça-feira, dia marcado para a posse solene, o "doutor" foi ao Palácio do Planalto, mas para levar seu pedido de demissão ao presidente Bolsonaro, depois de ser flagrado em várias mentiras sobre o seu alentado currículo apresentado ao país pelo próprio presidente.

Só o nome dele não era falso, até prova em contrário.

Na coleção de vexames desse desgoverno, somente no Ministério da Educação, já tivemos um pré-colombiano e um olavista alucinado. Perdemos um ano e meio na área mais importante de qualquer governo civilizado, o que não é o nosso caso.

Além de destruir o presente, Bolsonaro dedica-se também a detonar o futuro do país.

Enquanto Decotelli preparava sua carta da demissão, sem plagiar ninguém, o núcleo militar estava reunido no Palácio do Planalto para escolher o quarto ministro da Educação, e o Ministério da Saúde continuava com um general interino, em meio à crise sanitária que já matou quase 60 mil brasileiros.

Podem trocar todos os ministros quantas vezes quiserem, não vai adiantar nada.

Com esse presidente, nenhum ministro tem futuro. Mandetta que o diga.

Ministros deveriam ser escolhidos para cumprir um plano de governo, que não existe até hoje.

Não há nenhum plano para a educação, a economia, a saúde, o meio ambiente, as relações exteriores, para nada.

Vão laçando nomes a esmo, ora entre os militares, ora entre a "área ideológica" dos filhos, supervisionados pelo guru da Virginia.

Só não conseguiram até agora montar um ministério minimamente decente, um ano e meio após a posse.

No desespero, acreditam em qualquer currículo cheio de títulos furados, como o desse enrolado Decotelli, que enganou o super-xerife Alexandre Ramagem, da Abin, aquele que Bolsonaro queria no comando da Polícia Federal.

Os generais do núcleo militar agora querem convencer o presidente a mudar tudo para salvar a lavoura, nomeando um ministério de notáveis para o lugar dos Salles, Araújos, Damares e outros expoentes do submundo do bolsonarismo.

Mas quais notáveis aceitariam ser ministros desse desgoverno, colocando em risco suas biografias?

Quem passear distraído pela calçada do Palácio do Planalto corre o risco de ser chamado para ser ministro. É um perigo.

Tanto faz quem entra e quem sai. Não há perigo de melhorar.

Vida que segue.

Balaio do Kotscho