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Covid-19 faz primeira vítima fatal entre socorristas do Samu de São Paulo

Profissionais do Samu de São Paulo prestam homenagem a socorrista morto por Covid-19 - Divulgação
Profissionais do Samu de São Paulo prestam homenagem a socorrista morto por Covid-19 Imagem: Divulgação
Leonardo Sakamoto

É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative - Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de "Pequenos Contos Para Começar o Dia" (2012), "O que Aprendi Sendo Xingado na Internet" (2016), “Escravidão Contemporânea” (2020), entre outros livros.

Colunista do UOL

05/04/2020 19h02

O Covid-19 fez a primeira vítima no Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de São Paulo. O médico socorrista Paulo Fernando Moreira Palazzo faleceu, na manhã deste domingo (5), aos 56 anos, por complicações decorrentes do coronavírus.

"Com muito pesar, o Samu de São Paulo perde a primeira vítima para o Covid-19. Samuzeiro batalhador, dedicado à missão e ao ser humano", afirma Francis Fujii, diretor médico do Samu.

Palazzo trabalhou até que ficou doente há 15 dias.

"Somos mais de 1.800 profissionais e estamos na linha de frente no combate ao coronavírus para que vocês possam ficam em casa. Por favor, respeitem o isolamento. Isto é uma doença séria e já perdemos um amigo, profissional e acima de tudo um ser humano excepcional."

São Paulo é o Estado que concentra o maior número de casos (4620 confirmados) e de mortes (275) até agora. O Ministério da Saúde alerta, contudo, que esses números estão subestimados devido ao atraso na realização de testes. O Brasil registrava, neste domingo, 11.130 casos e 486 óbitos por Covid-19.

Graduado pela Escola Paulista de Medicina (atual Universidade Federal de São Paulo), Palazzo era hematologista e atuou por dez anos no atendimento de emergência. De acordo com relatos de seus colegas, era de origem humilde e trabalhou sempre como plantonista e preceptor em pronto socorro. Deixa dois filhos.

Por conta da morte de Palazzo, ambulâncias do Samu fizeram um "sirenaço" na tarde deste domingo. Profissionais do serviço prestaram uma homenagem a ele na base em que atendia, no centro da capital. Devido às recomendações de isolamento e distanciamento social para retardar a velocidade de infecção pelo coronavírus, não é possível a realização de velório.

Leonardo Sakamoto