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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Série "Euphoria" mostra que a televisão está viva e inquieta

Zendaya vive Rue em cena de "Euphoria", série exibida pela HBO  - Reprodução / Internet
Zendaya vive Rue em cena de "Euphoria", série exibida pela HBO Imagem: Reprodução / Internet
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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

24/02/2022 07h01

Esta é parte da versão online da edição desta quarta-feira (09/02) da newsletter de Mauricio Stycer. Para assinar o boletim e ter acesso ao conteúdo completo, clique aqui.

Neste domingo, às 23h, vai ao ar o último episódio da segunda temporada de "Euphoria". É uma série com o padrão HBO. Isso quer dizer que não se trata exatamente de uma campeã de audiência, ainda que tenha apresentado bons números. Mais importante, se tornou o programa mais badalado do momento, o mais comentado e discutido nas redes sociais.

"Euphoria" conta a história de uma turma de adolescentes numa cidadezinha americana qualquer. Os seus problemas parecem enormes, como ocorre nesta fase da vida. As relações são todas intensas, para o bem ou para o mal. Até aí estaríamos falando de uma série corriqueira, como tantas outras. Mas não é.

Trata-se de um drama soturno, exagerado, muito mais onírico do que real. Quase sem cores ou alívios cômicos. E uma trilha sonora espetacular. Os personagens, entediados com a vida colegial, consomem drogas e bebidas alcoólicas em quantidade industrial, muito mais do que os jovens, na realidade. Este é um tema delicado, como se sabe, e atrai para a série muitos questionamentos e críticas.

Rue Bennett, a protagonista e narradora, é dependente química e já passou por diversos tratamentos para se livrar do vício. Teve recaídas terríveis, e superou momentos muito autodestrutivos. Não enxergo nenhuma glorificação ou incentivo ao uso de drogas na série. Ao contrário, creio que ela causa mais repulsa do que qualquer outra coisa. Mas não sou adolescente e, de fato, não sei como a série é vista e absorvida por este público.

A personagem principal é vivida pela cantora e atriz Zendaya, que também é produtora-executiva da série. A atriz tem 25 anos. E não é um caso único. Os atores que vivem personagens adolescentes em "Euphoria", em sua maioria, já estão na fase adulta.

Segundo a "Variety", cada episódio da série custa cerca de US$ 11 milhões (cerca de R$ 55 milhões), um valor relativamente alto no mercado. O investimento, aparentemente, tem compensado - uma terceira temporada já foi encomendada.

Quando a Netflix começou a produzir conteúdo próprio, por volta de 2013, um dos chefões disse que o objetivo da empresa era se tornar uma HBO antes que a HBO virasse uma Netflix. Ou seja, não bastava crescer; era preciso ser vista como uma empresa que cria programas de qualidade.

Na verdade, isso nunca ocorreu. A Netflix elevou a qualidade de algumas de suas produções, conseguiu conquistar muitos prêmios, do Emmy ao Oscar, e é maior plataforma de streaming do mundo. Mas nunca se tornou uma HBO.

A HBO teve muitos altos e baixos neste período, mas segue com uma alma própria, com séries ousadas, sem ser apelativas, críticas e provocativas, que mexem com a imaginação de uma parte do público. "Euphoria" é o mais recente exemplo disso.

Goste-se ou não, a série prova que ainda há espaço na televisão ou no streaming para produções de impacto, sem medo de ferir suscetibilidades e afrontar o senso comum.

Pra lembrar
Ainda que com limitações de recursos, o telejornalismo brasileiro está acompanhando de perto a crise no Leste Europeu. Record e Band enviaram jornalistas para a Ucrânia ainda na semana passada. Esta semana, o SBT e a CNN Brasil também estavam com repórteres no local. Este esforço compensa. As reportagens feitas no local são mais "quentes" e transmitem melhor o que está acontecendo do que quando feitas à distância.

Pra esquecer
A entrevista coletiva do presidente Jair Bolsonaro em Petrópolis mostrou, mais uma vez, o pouco caso com o trabalho da imprensa. Apenas representantes de veículos alinhados com o governo ou vistos como simpáticos tiveram a chance de fazer perguntas. Os próprios repórteres dos veículos selecionados (Jovem Pan, Record, SBT e CNN) se surpreenderam com a abordagem. Eles não haviam procurado ninguém nem pedido qualquer privilégio.

A frase
"Todo mundo sabe que eu com 13 anos perdi minha mãe, que eu não fui criada por meu pai, então consequentemente quando meus filhos nasceram já era assim a minha vida"
Cintia Abravanel, filha mais velha de Silvio Santos, explicando os comentários que Tiago Abravanel, seu filho fez no "BBB 22" sobre o distanciamento que sente do avô e das tias.

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