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Há 11 dias, Moro disse, na prática, um "dane-se" para Adriano. E aconteceu!

Sergio Moro: ao não listar Adriano Magalhães da Nóbrega entre os perigosos, o ministro ligou o "dane-se". E o arquivo Adriano se danou - Cristiano Mariz/Veja
Sergio Moro: ao não listar Adriano Magalhães da Nóbrega entre os perigosos, o ministro ligou o "dane-se". E o arquivo Adriano se danou Imagem: Cristiano Mariz/Veja
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa “O É da Coisa”, na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

10/02/2020 08h58

Pois é...

Em 31 de janeiro, mesmo dia em que Adriano Magalhães da Nóbrega escapava a um primeiro cerco na Bahia, o ministro da Justiça, Sergio Moro, divulgava a lista de criminosos procurados em razão da sua periculosidade. E, ora, ora, Ariano Magalhães da Nóbrega não estava lá.

Informou a Folha:
De acordo com o Ministério da Justiça, o ex-capitão não foi incluído porque "as acusações contra ele não possuem caráter interestadual, requisito essencial para figurar no banco de criminosos de caráter nacional".
De fato, 25 dos 27 que compõem a lista são apresentados pelo ministério como tendo uma atuação regional ou nacional.
Há na lista de Moro, porém, dois integrantes de uma milícia de outro bairro da zona oeste. Em seus perfis publicados na página da pasta, sua área de atuação indicada é apenas o Rio de Janeiro. São eles: Wellington da Silva Braga, o Ecko, e Danilo Dias Lima, o Tandera, seu braço direito. Os dois atuavam em Campo Grande.

Que coisa, não? Há meros dez dias!

Fato: ao não incluir Adriano na lista — o que indica o índice de periculosidade do bandido e sua importância para desbaratar estruturas criminosas —, o ministro estava, na prática, entregando o homem a seus antigos amigos e, presentemente, algozes. Não é questão de querer, mas de fato.

Adriano foi morto pela Polícia da Bahia, é verdade, não por milicianos. Foi a forma que tomou, nesse caso, o dar de ombros do ministro da Justiça. E, reitere-se, miliciano morto não fala. Que sirva de lição a quem ainda pode falar.

Reinaldo Azevedo