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Teorias conspiratórias disparam com morte de miliciano ligado a Flávio

Adriano Magalhães, o morto que não fala, e Flávio Bolsonaro, o ex-amigão que o condecorou e cuio gabinete tinha mãe e mulher como funcionárias...  - reproduções
Adriano Magalhães, o morto que não fala, e Flávio Bolsonaro, o ex-amigão que o condecorou e cuio gabinete tinha mãe e mulher como funcionárias... Imagem: reproduções
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa “O É da Coisa”, na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

10/02/2020 09h54

As teorias conspiratórias nas redes sociais e nas páginas de militância política chegam à temperatura máxima. Não é para menos! O fio desencapado mais perigoso a ligar a família Bolsonaro às milícias — NÃO AO ASSASSINATO DE MARIELLE FRANCO — foi eliminado. Adriano Magalhães, apontado como o chefe do Escritório do Crime — a, por dizer assim, "holding" de milicianos a que pertencem os assassinos da vereadora (aí sim!) — está morto. E, sabem cumé, amigo, parça, comparsa, aliado, cúmplice... morto não fala, certo? A não ser que outros, com medo, decidam falar por ele e sobre ele...

O presidente Jair Bolsonaro certamente vai nos dar, à imprensa, mais uma banana nesta segunda, com a delicadeza habitual, mas o fato é que Adriano era, sim, próximo ao senador Flávio Bolsonaro, que havia condecorado o bravo duas vezes — na segunda, o sujeito já estava preso. Nem por isso, Flávio se intimidou.

Não foi o único policial enrolado com a Justiça a ser agraciado com homenagens oficiais pelo então deputado estadual. Além dele, há o tenente-coronel Arlei Balbino, réu por improbidade administrativa; Edson Alexandre Pinto de Goes, major da PM, condenado a cinco anos de prisão por lavagem de dinheiro e ocultação de bens; Maycon Macedo de Carvalho, também major da PM, réu por fraude em licitação, corrupção passiva e organização criminosa...

Para por aí? Não! Levantamento feito pela revista Piauí com base em dados da Alerj "revela que, entre 2003 e 2018, o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro aprovou moções e medalhas para pelo menos 23 policiais e militares que são réus na Justiça ou foram condenados por crimes diversos, que vão do homicídio à lavagem de dinheiro, organização criminosa ou fraudes em licitações. São dezenove policiais militares, três policiais civis e um tenente-coronel da reserva do Exército."

A IMPORTÂNCIA DE ADRIANO
Por que Adriano era importante? Porque ele assumiu uma posição de proeminência na milícia. O tal "Escritório do Crime" pretende ser o núcleo de profissionalização e expansão da milícia, que a exemplo do narcotráfico, tende a se espalhar pelo país. No Rio, o domínio já é espantoso. Excelente reportagem do Estadão evidenciou como os milicianos se preparam para as eleições.

E, aí, acrescento eu, em circunstâncias mais favoráveis do que nunca. Sem doação de empresas privadas a campanhas e com os minguados — SIM, MINGUADOS! — R$ 2 bilhões do Fundo Eleitoral, adivinhem quem vai se apresentar para financiar as eleições municipais país afora. Os milicianos estarão presentes. O narcotráfico também. Além, claro!, dos mercadores de Deus — os criminosos que usam uma Bíblia como arma.

Sim, os vínculos de Adriano com Flávio eram comprovados. Mãe e mulher de Adriano fizeram parte da tal folha de pagamentos de Fabrício Queiroz, que, por ora, quando não está em silêncio, está a fabricar versões nas quais ninguém acredita.

Há suspiros de alívio de um lado e de estupefação de outro. Fato: miliciano morto não fala. Mas uma investigação decente e profissional pode falar. Embora, como já vimos, o ministro Sergio Moro não julgasse que Adriano merecia figurar na lista de procurados perigosos...

Em perigo, por óbvio, está o país.

Reinaldo Azevedo