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Itália e Espanha evidenciam que "imunização do rebanho" mata o rebanho...

Caminhões do Exército, num roteiro de horror, passam por cidades da Itália recolhendo corpos para cremação. Parece que há gente querendo testar por aqui essa possibilidade... - Reprodução/Twitter
Caminhões do Exército, num roteiro de horror, passam por cidades da Itália recolhendo corpos para cremação. Parece que há gente querendo testar por aqui essa possibilidade... Imagem: Reprodução/Twitter
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa “O É da Coisa”, na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

23/03/2020 06h00

Há gênios por aí que resolveram defender que se pratique a tal "imunização do rebanho". Decreta-se uma espécie de toque de recolher para os idosos, e o vírus que role solto. Em que será que dá?

Bem, a Itália quase chegou lá. Com os resultados conhecidos. Não ousou tanto. Mas o vírus se espalhou pelo país. Havia ontem 60 mil infectados documentados. Estima-se que sejam, na verdade, pelo menos 600 mil. Com espantosas 5.400 mortes.

A infecção já teria atingido 332 mil pessoas no mundo — reitere-se: esses são os números oficialmente registrados. E as mortes chegaram neste domingo a 14,3 mil.

Os números dramáticos vão se multiplicando. Na Espanha, ao menos 12% dos contaminados são profissionais de saúde: 3.500. Trata-se um de flagelo adicional porque isso retira do trabalho mão de obra especializada para combater a doença. Entre sábado e domingo, morrem no país 399 pessoas, elevando o total de vítimas fatais para 1.725. Na Itália, os médicos e enfermeiros contaminados chegam perto de 5 mil.

O Reino Unido ensaiou deixar o bicho literalmente correr solto. Quando contaram a Boris Johnson, primeiro-ministro, que essa abordagem poderia matar ao menos 250 mil pessoas, ele desistiu.

No Brasil, alguns teóricos do homicídio em massa, disfarçados de pensadores alternativos, também alimentam essa conversa. Vai ver acalentam o desejo secreto de, deixem-me ver, imunizar a seu modo a Rocinha, no Rio, e Paraisópolis, em São Paulo...

Reitero: o país não poderá ficar parado até setembro. As medidas ora adotadas para conter a circulação de pessoas objetivam impedir o salto bestial da doença, com a virtual paralisia do sistema de saúde e morticínio em massa. Mas não se pode ficar nisso. É preciso tomar as outras medidas para atender aos doentes.

A tal "imunização do rebanho", como a estão formulando, resultaria na morte do rebanho.

Na Itália, caminhões do Exército percorrem Bergamo e as cidades vizinhas para recolher corpos para a cremação. As famílias não têm direito a velório. Um roteiro de horror.

Mas há quem insista que não se pode dar excessiva importância a uma gripezinha, né, Bolsonaro?

Reinaldo Azevedo