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Presidente do BB quer fim da quarentena. Diz: "Vida não tem valor infinito"

Rubem Novaes (à dir.), presidente do Banco do Brasil, cumprimenta ministro da Economia, Paulo Guedes. Diante da atividade econômica, Novaes considera que "a vida não tem valor infinito". Convenham: o lugar dele é mesmo esse governo... - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Rubem Novaes (à dir.), presidente do Banco do Brasil, cumprimenta ministro da Economia, Paulo Guedes. Diante da atividade econômica, Novaes considera que "a vida não tem valor infinito". Convenham: o lugar dele é mesmo esse governo... Imagem: Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa “O É da Coisa”, na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

26/03/2020 07h28

Leio esta maravilha no Painel da Folha:

Quanto custa O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, fez comentários críticos ao isolamento social, na mesma linha que o presidente Jair Bolsonaro. Em mensagem em um grupo de WhatsApp, Novaes disse que vida não tem "valor infinito". "Muita bobagem é feita e dita, inclusive por economistas, por julgarem que a vida tem valor infinito. O vírus tem que ser balanceado com a atividade econômica", afirmou o executivo no aplicativo de mensagens.

Siga o mestre A discussão sobre a necessidade de isolamento ganhou mais força com o pronunciamento do presidente nesta terça (24), contradizendo recomendações do próprio Ministério da Saúde e na contramão da maioria dos países que estão na batalha contra o vírus.

Um ou outro Perguntado sobre a afirmação que fez nas mensagens, Novaes disse que o lockdown [o confinamento, do termo em inglês] prolongado "causará depressão econômica com efeitos piores que os da epidemia".

Números Afirmou também que "a questão não é apenas médica e mesmo alguns médicos concordam com a tese do presidente [Bolsonaro]", disse ao Painel. "Depressão econômica também mata muita gente, principalmente entre os mais pobres."
(...)

RETOMO
Observem que ele escreveu a barbaridade que escreveu e a endossou. Pergunto -- e o valente, se quiser, pode responder:
1 - A vida de quem -- ou de "quens" -- não tem valor absoluto? Intuo que seja a dos pobres, não?

2 - Quando o doutor sugere que "o vírus tem de ser balanceado com a atividade econômica", não sei o que quer dizer. Nem ele. É atividade econômica com vírus, é isso?

3 - Se a vida não tem valor absoluto diante da atividade econômica, pergunto: existe uma atividade econômica, então, que independe da vida ou que exista apesar dela?

4 - Ou será que Novaes está querendo dizer — acho que está e que deveria ser corajoso — que a vida dos pobres não deveria atrapalhar a atividade econômica do ricos, que depende, claro!, de alguns pobres. Mas dos pobres ainda vivos. Como existem aos muitos milhões, pobres não faltarão para a "atividade econômica", ainda que muitos morram, certo?

5 - Eis um exemplar típico de certa elite que chegou ao poder.

Em qualquer governo decente, seria sumariamente demitido. Mas o que temos não é decente.

Reinaldo Azevedo