PUBLICIDADE
Topo

Ataques à democracia põem Bolsonaro em xeque entre formadores de opinião

Datafolha/Folha
Imagem: Datafolha/Folha
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa “O É da Coisa”, na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

29/06/2020 08h15

Por Mauro Paulino e Alessandro Janoni

A opinião pública responde aos arroubos de autoritarismo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de parte minoritária de seus apoiadores com a defesa recorde da democracia frente a qualquer outra forma de governo.

Em pouco mais de 30 anos de acompanhamento pelo Datafolha, o percentual de defesa do sistema democrático frente à alternativa de uma ditadura nunca foi tão alto (75%), alcançando patamares próximos a 90% entre mais ricos e escolarizados, taxa que se aproxima dos 70% entre os mais pobres e com nível fundamental.

Apenas um em cada dez brasileiros adultos admite que, em certas circunstâncias, é melhor uma ditadura do que um regime democrático.

O único subgrupo que mantém tendência inversa, de apoio a práticas antidemocráticas e valorização dos feitos da ditadura militar no Brasil, é o de devotos do presidente, os bolsonaristas mais ferrenhos, que correspondem hoje a 15% da população, segundo cálculo do Datafolha a partir de análise conjunta de respostas ao questionário aplicado.

Apesar de a maioria desses devotos do bolsonarismo dizerem que valorizam a democracia, a maioria deles por outro lado, diferentemente do restante da população, não vê como ameaça as manifestações pelo fechamento do Congresso e do STF, além de identificar mais realizações positivas do que negativas nos governos militares que conduziram o país de 1964 a 1985.

É o conjunto que mais demonstra tolerância a práticas autoritárias como proibição de greves, censura aos meios de comunicação tradicionais, extinção de partidos políticos e tortura. Só apresenta percentuais mais próximos à média ao condenar o controle das redes sociais.

Bolsonaro e seus propagadores referem-se com frequência a termos caros à democracia, como "liberdade de expressão", para defender fake news ou manifestações antidemocráticas confundindo parte de seus adeptos.

Mas vale observar que, considerando todos os 32% que apoiam o atual governo, avaliando-o como ótimo ou bom, encontram-se taxas majoritárias de defesa de valores democráticos apresentados pela pesquisa.

Descartam, por exemplo, a chance de haver nova ditadura no país e condenam a hipótese de fechamento do STF. Reivindicações de grupos mais radicais representam, portanto, parcela minoritária do bolsonarismo, concentradas entre os mais devotos.
(...)
Na Folha

Reinaldo Azevedo