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Minha coluna na Folha: Brasil afunda; verdades sobre a Lava Jato vêm à tona

Lava Jato mandou a Constituição e o estado de direito para o lixo e o país para o brejo. É preciso resgatá-los - Reprodução
Lava Jato mandou a Constituição e o estado de direito para o lixo e o país para o brejo. É preciso resgatá-los Imagem: Reprodução
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa “O É da Coisa”, na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

03/07/2020 08h26

Leiam trecho:
Sei o que me custou a fama de "inimigo da Lava Jato". Afinal, os procuradores e o então juiz Sergio Moro passaram a encarnar o bem, o belo e o justo. Pouco importava que mandassem o Estado de Direito e o devido processo legal às favas. Nunca pensei coisas lisonjeiras sobre esses varões de Plutarco. E eles ainda conseguem me surpreender. Mas não ao FBI. Vamos ver. Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato em Curitiba, resolveu subir nas tamancas porque a subprocuradora-geral Lindora Araújo, da PGR, cobrou o compartilhamento de dados de investigações lá em curso. Acusou interferência indevida, apresentou denúncia à Corregedoria do MPF --a diligência está aberta-- e omitiu do público que há uma decisão de 2015 determinando esse compartilhamento. Ele não quer papo com a PGR. Só com o FBI.

Com o intuito de se descolar do governo naufragante, especialmente depois que Moro deixou o Ministério da Justiça, os valentes fizeram mira em Augusto Aras, procurador-geral da República. Tentam uma vaguinha entre aqueles, tão desiguais entre si, que enfrentam a barbárie liderada por Jair Bolsonaro, que eles ajudaram a eleger. No embate com Aras, diga-se, receberam o apoio de Moro. Afinal, não é só o presidente que está de olho em 2022. Com o levante, pretendem explorar a proximidade do procurador-geral com o presidente, colando no primeiro a pecha de inimigo da Lava Jato e, em ambos, a de lenientes ou promotores da corrupção. É grande a chance de o dito "Mito" não concluir seu mandato, mas por outros malfeitos, sem nenhuma relação com a operação. Até Bolsonaro pode ser alvo de críticas por maus motivos.

Dallagnol está me processando. Não usarei a coluna para fazer proselitismo. Tanto o processo como a conjuração anti-Aras antecedem informações do balacobaco. Reportagem da Agência Pública, em parceria com o site The Intercept Brasil, evidencia a colaboração entre a Lava Jato e o FBI ao arrepio do Ministério da Justiça. Não é teoria da conspiração. Havendo conspiração, é fato que antecede a teoria.
(...)
Íntegra aqui

Reinaldo Azevedo