PUBLICIDADE
Topo

Reinaldo Azevedo

Minha coluna na Folha: Bolsonaro cumpre promessa e desconstrói o Brasil

Jair Bolsonaro durante jantar em Washington em março do ano passado. À sua esquerda, o delinquente e extremista de direita Steve Bannon; à sua direita, Olavo de Carvalho e Ernesto Araújo. Ali ele anunciou: tinha vindo para desconstruir, não para construir - Alan Santos/AFP
Jair Bolsonaro durante jantar em Washington em março do ano passado. À sua esquerda, o delinquente e extremista de direita Steve Bannon; à sua direita, Olavo de Carvalho e Ernesto Araújo. Ali ele anunciou: tinha vindo para desconstruir, não para construir Imagem: Alan Santos/AFP
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário - e frequentemente é necessário -, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

27/11/2020 07h38

Leiam trecho:
*
O governo de Jair Bolsonaro acaba de comprar mais um conflito estúpido com a China; ainda não reconheceu a eleição de Joe Biden nos EUA; acusou recentemente países europeus de comprar madeira ilegal do Brasil --o que os tornaria, quando menos, corresponsáveis pelo desmatamento-- e é hostil à Argentina, um dos principais clientes, ainda que em declínio, da combalida indústria brasileira. O festejado acordo UE-Mercosul é agora só miragem, e o ingresso do país na OCDE vai ficando mais distante. Bolsonaro é hoje um dos líderes mais isolados no planeta.
(...)
O ódio à política, liderado pela Lava Jato, levou pesos pesados do PIB brasileiro a acreditar numa espécie de purificação mística. Se os "espertos", na narrativa escatológica então inventada, haviam criado o país da corrupção e da impunidade, talvez nos faltassem brutalidade e crueza em estado puro.

E existia a personagem que encarnava todos esses baixos instintos —tudo aquilo que a civilização, na verdade, deve reprimir pelo caminho da educação e do decoro para que a vida em sociedade seja possível. E Bolsonaro chegou lá, com seu séquito de neófitos arrogantes e truculentos, vocalizando os preconceitos mais sórdidos sob o pretexto de conjurar, então, as forças do mal que teriam se entranhado no país.

Em março do ano passado, numa reunião com forças conservadoras em Washington, o presidente foi profético sobre o próprio governo: "O Brasil não é um terreno aberto onde nós pretendemos construir coisas para o nosso povo. Nós temos é que desconstruir muita coisa."

Homem de palavra. Ele está desconstruindo o Brasil.
Íntegra aqui