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Reinaldo Azevedo

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Coluna na Folha: Bolsonaro oferece 400 mil mortos ao lúmpen-milicianato

Presidente Jair Bolsonaro: Fortuna e "virtù" se encontraram; em vez de surgir o Príncipe, veio o ogro - Marcos Corrêa/PR
Presidente Jair Bolsonaro: Fortuna e "virtù" se encontraram; em vez de surgir o Príncipe, veio o ogro Imagem: Marcos Corrêa/PR
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário - e frequentemente é necessário -, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

30/04/2021 08h31

Leiam trechos:

A instalação da CPI da Covid mexe com os bofes de Jair Bolsonaro. Agride o seu senso de onipotência --injustificado segundo um crivo objetivo, mas compreensível se visto por lentes clínicas.
(...)
A política sempre deve ter precedência na análise da vida pública, embora os dados de personalidade não possam jamais ser ignorados. Uma leitura mais aberta de Maquiavel sugere que a "fortuna" e a "virtù" --a história herdada que condiciona alternativas e as escolhas ditadas pela personalidade-- também podem ter um enlace negativo. Em vez de surgir o Príncipe, eis que aparece o ogro, que a democracia tem de esconjurar. Ou morreremos todos. Assim, é claro que, ao não arredar um milímetro das posições as mais estúpidas e reacionárias, que muitos enxergam danosas e contraproducentes para seu próprio futuro político, Bolsonaro age com cálculo. Ele deu voz a esse público que existia nas sombras; que se esgueirava nos escuros da história; que se acoitava nos desvãos nunca visitados --não de modo suficiente ao menos-- pela teoria política.
(...)
Não é fácil a um outro qualquer liderar esse lúmpen-milicianato --presente em todos os setores e classes, já que não é o interesse econômico que une os fanáticos, mas uma espécie de identidade espiritual. Embora esteja consciente do jogo, Bolsonaro é um homem, a seu modo, sincero. Está plenamente convencido das coisas estúpidas que diz e faz. É o que a sua inteligência alcança. Creiam: nem os filhos são seus herdeiros naturais. Já pensam demais, ainda que a seu modo. Nesse particular sentido, raramente houve no Brasil um representante que expressasse com tanta fidelidade o universo mental dos seus representados e que estivesse tão à altura do momento. Ele soube pôr as suas características pessoais a serviço da terra que a Lava Jato arrasou. É emblemático que, neste momento, o senador Renan Calheiros --uma das caças de predileção de procuradores -- seja o homem mais temido pelo presidente e pelos fascistoides que ele mobiliza.

Íntegra aqui

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL