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Reinaldo Azevedo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Minha coluna na Folha: Pesquisa Datafolha mostra um buraco civilizatório

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Imagem: Reprodução
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Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário - e frequentemente é necessário -, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

24/06/2022 07h11

Leiam trecho:

A pesquisa Datafolha divulgada ontem evidencia, uma vez mais, a estabilidade do quadro eleitoral, mas também demonstra a ameaça de um buraco civilizatório.
(...)
Entre o levantamento anterior e este, houve os assassinatos de Bruno Araújo Pereira e Dom Phillips no Vale do Javari. A tragédia não se deu no vácuo, mas num meio ambiente político de incentivo ao vale tudo. A pergunta é óbvia e a resposta não menos: os valores que emanam do Palácio do Planalto e suas políticas públicas estão mais afinadas com Bruno e Dom ou com seus executores? O próprio Bolsonaro, Hamilton Mourão, a Polícia Federal e os tais "bolsominions" nas redes sociais não hesitaram em apontar o dedo acusatório para as vítimas.

No intervalo, houve um reajuste de combustíveis, e Bolsonaro, em companhia de Arthur Lira, presidente da Câmara e governante "de facto", resolveram promover um pega-pra-capar na Petrobras, somando a histeria à desordem fiscal promovida pelo tal pacote para baixar o preço, enlaçando os Estados no seu desastre. O mandatário resolveu elevar a temperatura da retórica golpista e, sob o seu comando, o TSE passou a ser alvo de um verdadeiro assédio do Ministério da Defesa. Até Anderson Torres, titular da pasta da Justiça, enviou um ofício meio malcriado ao tribunal, anunciando que a PF fará auditoria das urnas, empregando, provavelmente, ferramentas próprias — não sabemos quais. Todos querem fiscalizar o tribunal, numa interpretação livre de uma resolução, mas não sabemos quem fiscaliza os fiscais.

Os pesquisadores do Datafolha foram a campo na quarta e quinta, em meio às turbulências geradas pela prisão preventiva, depois revogada, de Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação e dos pastores lobistas, que pertencem ao círculo de Bolsonaro. Um esteve 35 vezes do Palácio do Planalto; o outro, dez. Aqui e ali ouvi que isso tudo poderia criar dificuldades adicionais ao presidente nas urnas. Discordei, como sabem as pessoas com as quais conversei.

A adesão a Bolsonaro não sofreu abalo nenhum e pode até ter melhorado discretamente. A realidade deixou de ter importância para os fanáticos.
(...)
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