Envelhecimento da população trará desafios para Estado, mercado e família, diz Ipea.

Da Agência Brasil
Em Brasília

O processo de envelhecimento da população brasileira, apontado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), altera não apenas a vida dos indivíduos e as estruturas familiares como também aumenta a demanda por políticas públicas e a pressão por uma maior distribuição de recursos.

As conseqüências, de acordo com estudo do instituto, são vistas "com preocupação" e representam desafios para o Estado, para o mercado e para as famílias. As análises fazem parte de um estudo divulgado hoje (7) pelo instituto, elaborado com base na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2007.

A coordenadora do grupo técnico de população e cidadania do Ipea, Ana Amélia Camarano, lembra que o envelhecimento da população é uma "tendência universal" e que, muitas vezes, as pessoas associam o envelhecimento apenas ao aumento da expectativa de vida e à redução da mortalidade.

"Ele tem a ver com o fato de que se tem menos crianças e mais gente nas idades mais avançadas. Isso tende a se acentuar porque os anos 50 e 60 foram os anos do boom populacional. Os baby boomers vão se tornar agora os elderly boomers - estão envelhecendo e chegando lá na ponta."

Dentre as quatro políticas identificadas pela pesquisa como de maior importância para a população idosa em crescimento estão: renda para compensar a perda da capacidade laborativa (previdência e assistência social), saúde, cuidados de longa duração e a criação de um entorno favorável, que inclua aspectos como habitação, infra-estrutura e acessibilidade.

"Eu não diria que são problemas, mas desafios. Problemas vão ser se a sociedade não lidar com eles. Por isso, temos que antecipar para ajudar a sociedade a lidar com essas questões. A população menor de 30 anos já está diminuindo. Daqui a pouco, começa a menor de 45 anos. Quem vai trabalhar é uma população mais envelhecida, que requer mudanças no mercado de trabalho, em relação a valores e preconceitos, a adaptações físicas, e uma política de saúde habitacional", ressalta Ana Amélia.

Benefícios de seguridade social como a previdência urbana e rural e as pensões por morte cobriam, em 2007, cerca de 70% da população idosa que, na época, já somava aproximadamente 15 milhões de pessoas.

Embora a seguridade social responda pela parcela considerada pelo estudo como a mais importante na renda dos idosos, dados indicam que o trabalho é também um indicador de autonomia e de integração social. Em 2007, 42,6% dos homens idosos e 19,3% das mulheres trabalhavam.

A baixa participação feminina, de acordo com o estudo, reflete o retrato de décadas anteriores e torna as mulheres idosas mais dependentes da renda de outros membros da família. Entretanto, perspectivas do Ipea indicam um aumento na participação da população idosa a médio prazo nas atividades econômicas do país.

Já o crescente envelhecimento da população em idade ativa, aliado às "pressões" no sistema previdenciário, segundo o Ipea, levam à necessidade de o trabalhador se manter na ativa pelo maior tempo possível - o que requer uma política de saúde ocupacional capaz de diminuir as saídas do mercado de trabalho por causa de aposentadorias por invalidez.

A posição dos idosos na família, de acordo com a pesquisa, também foi alterada pelo envelhecimento da população. Uma das mudanças consideradas como de maior importância pelo Ipea no período 1992-2007 foi o aumento na proporção de idosos chefes de família, além de uma redução na proporção de idosos vivendo na casa de filhos, genros, noras, irmãos ou outros parentes. Em 2007, cerca de 17 milhões de idosos brasileiros chefiavam famílias - destes, 58,8% eram homens.

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