Legista promete lançar livro com motivação da morte de Isabella depois do julgamento

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

Júri começa nesta segunda-feira

O legista produziu o laudo a pedido da defesa do casal Nardoni, contestando a perícia feita pela polícia paulista. "Eles alegam que houve dois momentos de agressão antes da queda. O primeiro, com uma chave, pela Anna Carolina, no carro, mas essa chave nunca foi encontrada e não havia marcas de sangue no carro. Além disso, o sangue correu lateralmente, e não verticalmente. Ou seja, de alguém que estava deitado. Segundo, o Alexandre teria jogado a menina no chão, dentro do apartamento, e ela teria quebrado o braço e a bacia. Ora, a energia liberada pelo impacto de uma queda sendo jogada no chão não seria capaz disso. Tudo isso está no laudo feito por eles", afirmou.

No dia em que tem início o julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella Nardoni, 5, que morreu em março de 2008 após ser atirada do 6º andar do Edifício London, em São Paulo, o médico legista alagoano George Sanguinetti promete trazer mais polêmica ao caso. O perito quer revelar em um livro, a ser lançado após o resultado do júri popular, o que teria motivado o crime.

Sanguinetti não vai depor no julgamento, que terá início às 13h desta segunda-feira (22), mas pretende relatar os "pormenores do caso" na publicação. “No livro, dou uma explicação com base técnica do que teria motivado o crime. Esse é o foco pirncipal. Todo crime há alguém que lucra, que tem algum benefício. Nessa caso, não. Era uma criança, onde os pais nunca a tinham agredido e não haveria nenhuma explicação”, ressaltou.

A obra, intitulada "Quem matou Isabella Nardoni?", já está pronta há três meses, mas não pode ser lançada porque o processo corre em segredo de Justiça. "Conversei com o juiz do caso [Maurício Fossen], e fui orientado a não publicar. Vou apresentar muitos detalhes da investigação que fiz. Da forma como foi feita, a investigação não traz provas da autoria do crime", alegou.

Segundo Sanguinetti, a perícia paralela feita por ele no local do crime e em cima dos autos faz parte da defesa do casal. "O laudo será apresentado por uma professora de perícia de São Paulo", afirmou.

Para ele, a defesa terá um papel crucial para evitar o que seria um "linchamento moral" do casal. “Se não houver uma argumentação técnica bem feita, mostrando tudo isso que está na perícia que fizemos, eles não devem escapar, porque a mídia já praticamente os condenou. O bairrismo também. Veja como eu fui tratado por sair de Alagoas e contestar um laudo deles [de São Paulo]”, afirmou.

"Vou pedir só Justiça, nada além disso", diz promotor

Apesar das alegações, Sanguinetti não sabe apontar quem seria o autor do crime. “Isso cabe uma investigação policial, que não foi feita corretamente. A menina pode ter sido jogada pelo casal, como pode ter sido jogada por uma outra pessoa. Mas, só investigaram Alexandre e Anna, mais ninguém. Não visitaram todos os apartamentos do edifício para saber da possibilidade de uma terceira pessoa”, assegurou.

Sanguinetti chegou a ir ao Edifício London, dois meses após a morte de Isabella, para realizar uma perícia extrajudicial. A conclusão do legista foi que não existem provas contra o pai e a madrasta da menina. "O resultado do julgamento, caso seja a condenação, em algum momento, pelo Supremo, será anulado. Existem erros crassos. Não há provas contra o casal", afirmou.
 

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