Alex de Jesus/ O Tempo/ AE

Caso Eliza Samudio

"Ela não merecia morrer desse jeito", diz mãe de Eliza

Rayder Bragon

Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte

A mãe de Eliza Samudio, Sônia de Fátima Moura, chorou nesta quinta-feira (8) após saber da versão sobre a morte da filha delineada até o momento pela polícia mineira. O goleiro Bruno, do Flamengo, está preso pelo sumiço da ex e foi indiciado por sequestro.

“Minha filha poderia ter feito o que fosse na vida, mas ela não merecia morrer desse jeito”, disse Sônia chorando. Ela conseguiu hoje reverter na Justiça a guarda provisória do filho de Eliza, que seria do goleiro, e estava com o avô materno, Luiz Samudio. “A minha prioridade é a Eliza, mas eu vou lutar pela guarda do meu neto”, disse o pai da vítima, que também esteve no Departamento de investigações de Belo Horizonte nesta manhã.

Crime premeditado
A polícia mineira elucidou 80% do caso do desaparecimento de Eliza, afirmou em entrevista coletiva concedida na manhã desta quinta o delegado Edson Moreira, que conduz as investigações no Estado. Segundo ele, o crime foi “premeditado, planejado e friamente executado”. O inquérito ainda não foi concluído.

Marcos Aparecido Santos, conhecido como Bola ou Paulista, é o novo alvo da polícia, apontado pelas investigações por ter estrangulado Eliza até a morte. Santos é ex-agente da Polícia Civil de MG, tem 45 anos, adestrava cães e dava cursos de sobrevivência. Ontem, dez cães foram apreendidos na casa do suspeito, em Vespasiano (região metropolitana de Belo Horizonte).

“O Bruno estava lá dentro da casa e via a mulher com a cabeça toda estourada e acompanhou a ida de Eliza para o sacrifício”, disse Moreira, que classificou o ex-policial como um “especialista em matar”.

Bruno e Macarrão passaram a noite presos em celas separadas na Delegacia de Homicídios e foram transferidos hoje às 12h50 para a unidade de Bangu 2, no Complexo de Gericinó, em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro. Eles negam envolvimento no desaparecimento e disseram que só responderão em juízo.

Indiciamento e denúncia
A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou nesta quinta que o inquérito que apurou o crime de sequestro no caso do desaparecimento de Eliza está concluído e indicia o goleiro como mandante. O relatório pode ser entregue ainda hoje ao Ministério Público. O amigo do goleiro conhecido como Macarrão, Luiz Henrique Romão, e o adolescente de 17 anos apreendido após prestar depoimento que mudou os rumos da investigação, foram indiciados como executores. Em seguida, o MP vai decidir se apresenta denúncia à Justiça.

O Ministério Público do Rio de Janeiro também denunciou hoje o goleiro e Macarrão pelos crimes de sequestro/cárcere privado e de lesão corporal, pelos crimes cometidos em outubro de 2009, quando os dois sequestraram Eliza tentaram forçá-la a abortar. A peça será analisada pelo Judiciário e, se recebida, ambos se tornam réus em ação penal pelos crimes.

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