Justiça decreta prisão preventiva dos PMs que liberaram atropelador de Rafael Mascarenhas

Do UOL Notícias

Em São Paulo

A juíza Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros, da Auditoria da Justiça Militar do Rio, decretou na noite desta terça-feira (27) a prisão preventiva dos policiais militares Marcello José Leal Martins e Marcelo de Souza Bigon, segundo informaçõs do Tribunal de Justiça do RJ.

Eles são acusados de cometer extorsão para liberar o veículo de Rafael Bussamra, 25, após o atropelamento do músico Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, na madrugada de terça-feira (20).

Segundo a decisão da juíza, a prisão é imprescindível para o prosseguimento das investigações, uma vez que ainda não foi possível reunir todo o conjunto de provas. De acordo com a magistrada, a prisão visa também a integridade dos acusadores. “Há notícias de que os acusadores sentem-se intimidados e pensam em ir para outro local”, afirmou.

Polícia faz reconstituição do atropelamento


O cabo Marcelo de Souza Bigon cumpriu prisão administrativa Batalhão da Polícia Militar (Leblon) entre sábado e as 17h de hoje. Já o sargento Marcello José Leal Martins cumpriria a prisão administrativa até amanhã. Agora, ambos serão encaminhados ao Batalhão Especial Prisional.

Paralelamente, ambos aguardam o resultado processo disciplinar aberto pela Corregedoria da PM. De acordo com a assessoria da PM, a corregedoria quer acelerar o processo para expulsá-los da polícia.

O comandante-feral da PM do Rio, coronel Mário Sérgio Duarte, já havia pedido a prisão preventiva dos PMs, mas o juiz Alberto Fraga,  do TJ-RJ negou o pedido, argumentando não haver indícios e provas para embasar a custódia tutelar.

Na madrugada de hoje, a polícia fez a reconstituição do crime. Também hoje, o estudante André Liberal, 19, que estava no carro que atropelou o músico, prestou depoimento no 15º DP e negou que eles estavam fazendo "racha".

Corrupção ativa
A delegada Bárbara Lomba, do 15ª DP, disse nessa segunda-feira (26) que os policiais envolvidos na extorsão para liberar o carro usado no atropelamento do filho da atriz Cissa Guimarães podem "eventualmente" ser indiciados por corrupção ativa.

Spencer Levy, advogado de Rafael Bussamra, que depôs na manhã de ontem, afirmou que seu cliente foi vítima de má conduta policial no episódio. De acordo com ele, na madrugada do atropelamento Bussamra queria prestar socorro à vítima, mas foi abordado por dois policiais militares que o levaram à delegacia, impedindo que o socorro fosse fornecido.

Em seu depoimento, Rafael disse que foi levado até a delegacia na Gávea, onde chamaram seu pai e impediram que o rapaz registrasse um boletim de ocorrência. Enquanto esperavam, os policiais colocaram o rapaz em um carro da PM, que deu voltas pelo Jardim Botânico. O "passeio" foi flagrado por uma câmera de segurança.

Mais tarde, retornou à delegacia, onde os policiais disseram que o filho da atriz estava bem e havia sido socorrido, após ter sido encaminhado ao hospital fora de risco. Rafael Mascarenhas chegou a ser levado com vida para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Ele passou por uma cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos e morreu ao final do procedimento médico. A causa da morte foi hemorragia interna e politraumatismo. O corpo foi cremado na quinta-feira (22).

Ainda no depoimento, Rafael Bussamra disse à polícia que os dois PMs falavam com um terceiro pelo rádio. Depois, ameaçaram "destruir" a vida dele se não pagasse uma quantia de R$ 10 mil. Desse valor, ele pagou R$ 1.000 e já tinha em mãos outros R$ 6.000 quando, na tarde seguinte, soube que a vítima era filho da atriz. Nesse momento, segundo o advogado, Rafael recusou-se a prosseguir com o pagamento da propina.

O advogado negou ainda que Rafael estivesse fazendo um "racha" e disse que o túnel não possuía sinalização de interdição. Para ele, somente o resultado da perícia, que não está pronto, poderá comprovar que o veículo dirigido estava a mais de 100 km/h no túnel.

Segundo o advogado, a família de Bussamra está com medo e não passou o final de semana na cidade. “Quando denuncia policiais, obviamente que não vai ficar tranquilo sobre sua própria vida”, disse.

Segundo a delegada do caso, o inquérito deve ser concluído dentro de 15 ou 20 dias e aponta para o indiciamento de Rafael por homicídio culposo (sem intenção de matar). Já sobre a participação dos PMs, ela afirmou que, “embora situações, fatos, atos, dos PMS tenham sido trazidos aos nossos autos, nós não vamos tirar conclusões nas nossas investigações sobre a conduta deles”, declarou. “Isso é competência da Justiça Militar.”

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