Alex de Jesus/ O Tempo/ AE

Caso Eliza Samudio

Goleiro Bruno diz que não tinha motivo para matar Eliza e que ela está viva em São Paulo

Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias
Em Esmeraldas (MG)

  • Alexandre Guzanshe/Foto Arena/AE

    Bruno afirmou que a suposta pensão exigida por <br>Eliza, de R$ 3.000, "não era nada para ele"

    Bruno afirmou que a suposta pensão exigida por
    Eliza, de R$ 3.000, "não era nada para ele"

Apesar da proibição para falar com a imprensa imposta pela juíza Marixa Fabiane, do 1º Tribunal do Júri, de Contagem (MG), o goleiro Bruno Souza aproveitou o fim da sessão realizada nesta terça-feira (26), no fórum da cidade de Esmeraldas, para afirmar que não tinha motivo para matar Eliza Samudio, sua ex-amante, que está desaparecida desde o início de junho deste ano. Ele disse ainda acreditar que ela está viva e em São Paulo.

Bruno e mais oito pessoas são réus em processo sobre o desaparecimento da jovem e compareceram ao local para acompanhar os depoimentos. Na tarde de hoje foram ouvidas quatro testemunhas de defesa que foram intimadas a comparecer ao local por carta precatória, três foram dispensadas pela defesa dos réus.

Questionado se sabia do paradeiro de Eliza, o goleiro disse que ela estaria em São Paulo. Bruno afirmou que a suposta pensão exigida por Eliza, de R$ 3.000, “não era nada para ele”.

“Da última vez ela falou que ia para São Paulo e ponto. Eu não sei dizer mais nada sobre essa pessoa", disse o atleta. Ele declarou também que vai retomar a carreira e mandou um recado aos supostos fãs. “Eles podem acreditar em mim que mais cedo ou mais tarde a verdade vai vir à tona. As pessoas que conhecem o Bruno sabem da minha índole, sabem do homem que eu sou. Eu tenho duas filhas. Se essa criança for minha, onde come um, comem dois, comem três e eu vou amá-lo do mesmo jeito que amo minhas filhas”, disse o goleiro.

Ele afirmou que não cedeu material para exame de DNA que comprovaria a paternidade dele em relação à criança, mas que cederia o material sem nenhum problema.

Bruno ainda reclamou da Justiça de Minas Gerais e afirmou, sem citar exemplos, que outros casos parecidos com o dele são tratados de forma distinta. “Vocês têm que analisar o que está sendo feito com a gente, que na minha opinião é uma injustiça. Vocês veem vários outros casos que acontecem e nada, os caras estão soltos. Agora, você vai ao Fórum de Contagem e vê o absurdo que está sendo feito. Desculpe a palavra, mas é uma sacanagem”, declarou aos jornalistas.

O goleiro disse que pretende sair da cadeia para cuidar das suas duas filhas e de um suposto “terceiro filho de um erro que eu cometi”. Ele citou a avó e declarou que tem uma “senhora de 79 anos para cuidar”.

“A Justiça do homem é falha, mas a de Deus, não. Que Deus perdoe todas as pessoas ruins. Todo mundo está vendo o que está sendo feito com a gente”, finalizou.

Luiz Henrique Romão, o Macarrão, um dos réus no processo, também acusou Eliza de querer “acabar com a vida de Bruno”. “A gente está pagando por uma coisa que não fez. Ela falou que ia acabar com a vida do Bruno, mas ela está acabando com a vida de nove pessoas. Eu só queria que ela aparecesse porque todo mundo sabe que ela está viva. Eu tenho certeza que ela está viva”.

Ao final, Bruno saiu do fórum da cidade sob gritos de “lindo e gostoso”, misturados aos de “assassino”, em direção à penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, onde está preso.

Juíza diz ser favorável ao goleiro
De maneira inusitada, a magistrada Maria José Starling, juíza de direito de Esmeraldas, disse ser favorável à soltura ao menos do goleiro. Ao final da sessão, ela concedeu entrevista coletiva. “Todos os traficantes que mandei prender em Esmeraldas estão soltos. Aquele namorado da Mércia [Nakashima], um advogado, está solto, e lá [em São Paulo] tem evidências, tem corpo. Qual a evidência que nós temos nos autos?”, disse.

Apesar da declaração, a magistrada disse não ter examinado o processo, apenas a denúncia do Ministério Público. “As provas periciais eu não olhei nenhuma, mas só pelo grosso, que eu venho lendo pela mídia também, eu não vejo razão [para a prisão]. Eu não digo o Macarrão, mas o Bruno tem domicílio fixo, o Bruno tem, ou tinha emprego, ele tem família. Eu tenho que examinar os autos, mas o que eu estou falando é minha impressão pessoal e, não, jurídica”, afirmou.

“Em relação ao Macarrão eu não sei, mas o Bruno deveria estar solto”, complementou a magistrada. “Tem um que gere todos os negócios dele, o cabeça de tudo, que dirige todos os carros dele. Quem é? Me respondam?”, disse ela, para complementar: “o Macarrão”.

Ela se reuniu em privado com o jogador em uma sala anexa ao local da audiência onde ficaram por cerca de 15 minutos.

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