Topo

Favela onde Tim Lopes foi assassinado recebe quarta UPP do Complexo do Alemão, no Rio

Policiais e moradores acompanham a inauguração da quarta UPP no Complexo do Alemão - Marcelo Piu/Agência O Globo
Policiais e moradores acompanham a inauguração da quarta UPP no Complexo do Alemão Imagem: Marcelo Piu/Agência O Globo

Do UOL, no Rio

30/05/2012 14h05

A Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro inaugurou, nesta quarta-feira (30), a quarta Unidade de Polícia Pacificadora no Complexo do Alemão, na zona norte da cidade. A nova UPP abrange as favelas do Alemão (que dá nome a todo o conjunto de favelas) e da Pedra do Sapo.

Pelo menos 320 policiais militares ficarão responsáveis pela manutenção da segurança na região. Somadas as UPPs inauguradas anteriormente, nas comunidades da Fazendinha, da Nova Brasília e dos morros do Adeus e da Baiana, 1.300 praças e oficiais da PM já estão trabalhando no conjunto de favelas.

A Força de Pacificação do Exército, que ficou responsável pelo patrulhamento das 13 comunidades do Complexo do Alemão após a ocupação das forças de segurança, no fim de 2010, vai deixar a região no dia 30 de junho deste ano. Homens do Bope (Batalhão de Operações Especiais) e do Batalhão de Choque já se preparam para substituir os soldados das Forças Armadas.

A favela Pedra do Sapo, considerada ponto crítico desde a tomada do território em função da continuidade do comércio de drogas, foi o local no qual criminosos assassinaram o jornalista Tim Lopes, há quase dez anos, quando ele produzia produzia uma reportagem sobre prostituição infantil.

Lopes foi capturado no momento em que registrava imagens de um baile funk na Vila Cruzeiro. Na ocasião, o chamado "tribunal do tráfico" ficava na Pedra do Sapo, para onde ele foi levado por traficantes liderados por Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, que foi preso e condenado. O jornalista foi torturado com requintes de crueldade antes de ser morto.

O secretário estadual de segurança, José Mariano Beltrame, afirmou durante a inauguração que a meta estabelecida pelo governo --40 UPPs até a Copa do Mundo de 2014-- será cumprida, e que os moradores das comunidades na zona oeste, região que é controlada em sua maioria por milícias, serão contemplados pela política de pacificação.

Até o fim de junho, mais quatro UPPs serão inauguradas na região do Complexo do Alemão, das quais a próxima acontece já nesta quinta-feira (31), no morro da Chatuba. Há pelo menos 22 dias, policiais da divisão de elite da PM, o Bope, com o apoio do Batalhão de Choque, fazem incursões para reprimir traficantes de drogas que continuam em atividade.

Cabral se defende

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), concedeu entrevistas a órgãos de imprensa pela primeira vez desde que teve o seu nome ligado às investigações sobre as atividades e amizades do contraventor Carlinhos Cachoeira, alvo de uma CPI em curso no Congresso.

Cabral afirmou que, voluntariamente, não pretende dar esclarecimentos em Brasília. Questionado sobre a possibilidade de convocação, ele argumentou "não ver motivo para ir a algum lugar", já que o seu nome não aparece em nenhuma das gravações feitas pela Polícia Federal no inquérito que investiga as ações do contraventor.

Cabral afirmou ainda respeitar a atitude do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), que foi à CPI e pediu para ser ouvido. "O governador de Goiás tem as suas razões e eu respeito. São 250 mil gravações e meu nome não aparece em nada. Não é por conta de uma amizade que eu teria que ir a algum lugar, não há razão para isso", disse.

Irritado com uma pergunta sobre a quebra de sigilo da empreiteira Delta Construções --cujo ex-proprietário, Fernando Cavendish, é seu amigo pessoal--, o governador do Rio afirmou que "uma coisa é a relação pessoal com empresários ou não empresários, outra é a impessoalidade da decisão administrativa".

"Por que eu temeria? Acho até um desrespeito alguém me perguntar isso. (...) Essas ilações são de uma irresponsabilidade completa. Trata-se de um desrespeito completo com a minha pessoa e com a administração que a gente vem fazendo", esbravejou.

O governador do Estado garantiu que todos os seus secretários têm autonomia para "nomear auxiliares e tomar decisões administrativas". "Nunca fiz pedido para nomear alguém ou para beneficiar alguma empresa (...) Nosso governo trabalha com transparência. Está tudo na internet", disse.

As suspeitas quanto ao relacionamento do governador Sérgio Cabral com o empresário Fernando Cavendish se intensificaram depois de uma série de reportagens sobre os gastos do governador com viagens ao exterior, e principalmente após o vídeo divulgado pelo ex-governador e deputado federal Anthony Garotinho onde Cabral aparece em um jantar com o ex-proprietário da Delta, supostamente em Paris. O material foi veiculado no "Blog do Garotinho".

Mais Cotidiano