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Incêndio em equipamento provocou blecaute em todo Nordeste e em dois Estados do Norte do país, diz ONS

Veículos circulam em avenida de Recife (PE) às escuras - Guga Matos/JC Imagem
Veículos circulam em avenida de Recife (PE) às escuras Imagem: Guga Matos/JC Imagem

Do UOL, em São Paulo

26/10/2012 09h05

O incêndio em um equipamento entre as subestações de Colinas (TO) e Imperatriz (MA) foi a causa do desabastecimento de energia ocorrido na região Nordeste e em parte do Norte do país, na madrugada desta sexta-feira (26). O problema ocorreu justamente na interligação entre os sistemas Norte-Nordeste e Sul-Sudeste.

A linha de transmissão é operada pela empresa Taesa. Segundo informação da assessoria de imprensa do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), o problema ocorreu pouco depois da meia-noite e demorou pouco mais de uma hora para ser resolvido.

Portanto, por volta da 1h30, a energia na linha principal já tinha sido restabelecida. No entanto, as distribuidoras de energia levaram mais tempo para restaurar a energia nas linhas secundárias.

Segundo a ONS, houve desabastecimento de energia nos nove Estados do Nordeste. No Norte, os Estados do Tocantins e do Pará foram parcialmente atingidos. No total, 11 Estados tiveram blecaute.

A cidade de Belém não foi afetada pois é suprida diretamente pela usina hidrelétrica de Tucuruí. A ONS informa também que as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste não foram afetadas pela perturbação. 

Onde fica a subestação de Colinas, no Tocantins

  • Arte UOL

Uma reunião de técnicos às 14h de hoje, na sede do ONS, no Rio de Janeiro, vai analisar mais profundamente o problema. Nessa reunião, que é praxe em casos de blecaute, um relatório sobre os motivos do desabastecimento de energia é produzido e enviado para a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). A agência reguladora do setor avalia o relatório e aponta eventuais responsáveis por falhas. 

Na manhã desta sexta, o assunto deve ser discutido em uma reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, em Brasília. Antes do início de reunião entre executivos do setor, o ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, afirmou que “eventos como esse (apagão) não são normais”.

Questionado sobre qual a garantia de bom funcionamento que o sistema elétrico brasileiro oferece, Zimmermann disse: "o sistema brasileiro é um dos melhores e sempre tem confiabilidade".
 

Problema reincidente

Este é o terceiro apagão registrado no país em 34 dias. No último dia 3 de outubro, uma pane em um dos transformadores de uma subestação da usina de Itaipu, administrada por Furnas, em Foz do Iguaçu (PR), causou um apagão em pelo menos cinco Estados brasileiros. Na época, os Estados do Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Acre, Rondônia, além de parte da região Centro-Oeste ficaram sem luz. Em algumas cidades, o blecaute durou cerca de uma hora e 20 minutos.

No dia 22 de setembro, outro apagão atingiu oito dos nove Estados do Nordeste. Estima-se que pelo menos 7 milhões de pessoas tenham sido afetadas. O problema, segundo a Cemar (Companhia Energética do Maranhão), teria ocorrido no sistema de suprimento elétrico de responsabilidade da Eletronorte (Centrais Elétricas do Norte do Brasil), em Imperatriz (MA), que teria causado a interrupção do fornecimento de energia em cadeia.

Por causa do blecaute, o Ministério de Minas e Energia determinou, no último dia 24, que a Companhia Energética de Brasília (CEB) e a concessionária de transmissão Furnas antecipem obras de expansão da rede básica no Distrito Federal, com investimentos em novas linhas, subestações e transformadores.

A decisão foi do grupo de trabalho coordenado pelo ministério, com a participação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que foi formado para avaliar as recentes interrupções no fornecimento de energia na capital federal.

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