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Santa Catarina anuncia força-tarefa para impedir chegada de onda de violência ao Estado

Bombeiros tentam apagar chamas de ônibus incendiado nessa segunda-feira (12), em Florianópolis - Cristiano Estrela/Agência RBS
Bombeiros tentam apagar chamas de ônibus incendiado nessa segunda-feira (12), em Florianópolis Imagem: Cristiano Estrela/Agência RBS

Renan Antunes de Oliveira

Do UOL, em Florianópolis

13/11/2012 16h10

O secretário de Segurança de Santa Catarina, César Grubba, disse em entrevista às 15h desta terça-feira (13) que a resposta do governo do Estado aos atentados da madrugada em Florianópolis "foi a criação de uma força-tarefa da Polícia Civil, aumento do policiamento ostensivo da PM e tempo de resposta imediato às novas ocorrências".

Ninguém foi ferido nos atentados. Nenhum novo incidente foi registrado na capital desde o amanhecer. O secretário descartou que dois crimes acontecidos em Blumenau (145 km de Florianópolis) -o incêndio de um ônibus, ontem, e tiros contra a guarita do presídio local por dois motoqueiros, hoje- tenham qualquer relação com os de Florianópolis.

No caso do presídio, dois homens foram presos e confessaram o crime. Grubba admitiu que a polícia investiga a possibilidade de que alguns atentados tenham sido coordenados de dentro dos presídios, mas ressalvou que "até agora não há nenhuma prova de que isto tenha ocorrido".

Os oitos atentados ocorridos em 24 horas provocaram uma sensação de insegurança nunca antes sentida em Florianópolis e em Blumenau, no Vale do Itajaí.  Segundo o coronel João Henrique Silva, comandante da 1ª Região PM,"não podemos negligenciar, existe a preocupação dos crimes organizados”.

“Nossos serviços de inteligência também estão atentos para os crimes que ocorrem no Estado de São Paulo, em presídios e até mesmo grupos que não são organizados, mas que aproveitam a situação para causar terror na cidade", afirmou nele. O diretor do Deap (Departamento de Administração Prisional), Leandro Lima, disse que "existem facções criminosas atuando dentro de nossos presídios".

PGC

A conclusão de vários delegados da Polícia Civil e autoridades da Polícia Militar, sob condição de anonimato, é de que a onda de violência no Estado está sendo coordenada por presos na penitenciária de segurança máxima de São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis. O grupo mais investigado é o chamado Primeiro Grupo Catarinense (PGC). 

O complexo abriga cerca de 1.200 condenados, entre eles os líderes do narcotráfico na região. O presídio não tem como impedir o uso de celular pelos detentos - eles tiveram a audácia de gravar uma invasão de policiais às celas e fizeram as imagens chegarem às televisões.

Na semana passada, alguns presos de São Pedro queixaram-se à Justiça de torturas. Hoje à tarde o juiz Humberto Goulart, da Vara de Execuções Penais de São José, voltou à unidade para mais uma inspeção.

Ataques que aconteceram desde janeiro estão sendo relacionados como parte de um plano para gerar insegurança na população - até agora eles vinham sendo analisados como episódios isolados.

O caso

A onda de ataques em Florianópolis começou às 16h40 de ontem (12), quando um homem atacou com uma bomba incendiária um ônibus no bairro Saco dos Limões.  O incidente mais grave foi o ataque a outro ônibus, em Canasvieiras, no qual três homens ordenaram aos passageiros que descessem, antes de incendiarem o veículo.

No total, foram queimados três ônibus, um carro da Polícia Civil e um de um PM que estava na garagem de casa. Postos policiais também foram alvejados. Ninguém foi ferido.

Hoje, todos os ônibus das linhas mais distantes do centro (como é o caso de Canasvieiras, no norte da ilha) estão sendo escoltados por viaturas da PM.

Cotidiano