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Ministério da Saúde cria força-tarefa para investigar desvio de dinheiro em hospitais de Campo Grande

Celso Bejarano

Do UOL, em Campo Grande (MS)

07/05/2013 04h29Atualizada em 07/05/2013 04h29

Em visita a Campo Grande (MS), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou na noite desta segunda-feira (6) a criação de uma força-tarefa para investigar um suposto esquema de fraude em licitações e desvios dos recursos do SUS (Sistema Único de Saúde) nos hospitais do Câncer Alfredo Abrão, da Fundação Carmen Prudente, e o Universitário Maria Aparecida Pedrossian, administrado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

Os dois hospitais são alvo de inquéritos instaurados pelo Ministério Público Federal (MPF) e Estadual (MPE) desde 2011. No dia 19 de março, os prédios das duas instituições foram ocupados durante a operação Sangue Frio, da Polícia Federal.

O ministro prometeu inspecionar na manhã desta terça-feira (7) o hospital do Câncer. Ele afirmou que a força-tarefa dura um mês. Antes, por meio da assessoria de imprensa, o ministro havia informado que o objetivo da força-tarefa é o de “garantir a segurança dos pacientes e combater o desperdício de recursos públicos”.

Interceptações telefônicas da Polícia Federal, exibidas no domingo (5) no Fantástico, da TV Globo, revelaram que um dos ex-diretores do hospital do Câncer, o oncologista Adalberto Siufi, tentou abafar a investigação, marcando uma audiência com o procurador-geral de Justiça do Estado, Humberto Brittes, por meio de influência do governador André Puccinelli (PMDB).

Brittes confirmou ter conversado com o médico e que “sempre recebe” pessoas investigadas em seu gabinete. As visitas, segundo o procurador, teriam como motivação queixas contra promotores.

Adalberto  Siufi moveu uma ação pedindo o afastamento da promotora Paula Volpe do caso do hospital do Câncer, mas ela foi mantida no caso, segundo Humberto Brittes.

Já a assessoria de Puccinelli negou que o médico pediu que o governador intercedesse no encontro com o chefe do MPE.

Adalberto Siufi era diretor-geral do hospital do Câncer e, por meio de sua empresa, a Neorad, especializadas em serviços de quimioterapia e radiologia, teria recebido, segundo o MPE, R$ 15 milhões do hospital entre 2007 e 2010.

Pelo estatuto da Fundação Carmen Prudente, empresa de diretor da entidade não poderia negociar com o hospital.

Siufi se afastou da direção do hospital do Câncer, mas ainda cumpre expediente lá. Ele é acusado também de empregar parentes seus como a filha, o filho, uma irmã, nora e o sogro do filho em cargos importantes e salários acima da média.

Já no hospital Universitário, o ex-diretor da instituição, o médico cardiologista José Carlos Dorsa, estaria implicado num esquema de desvio de recursos do SUS e superfaturamento de obras, segundo a Controladoria-Geral da União.

Dorsa estava afastado por determinação da Justiça Federal, desde março passado, mas nesta segunda-feira, conforme publicado no Diário Oficial da União, ele pediu exoneração do cargo.

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