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Manifestantes entram em confronto com policiais no Rio e pelo menos 62 ficam feridos

Manifestantes se concentraram em frente à igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro - Jadson Marques/Estadão Conteúdo
Manifestantes se concentraram em frente à igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro Imagem: Jadson Marques/Estadão Conteúdo

Hanrrikson de Andrade, Julia Affonso e Paula Bianchi

Do UOL, no Rio

20/06/2013 19h02Atualizada em 21/06/2013 00h20

Após a chegada de cerca de 300 mil pessoas ao prédio da prefeitura do Rio de Janeiro, alguns manifestantes que se aproximaram demais da cavalaria da Polícia Militar entraram em confronto com os PMs às 19h. Bombas de efeito moral foram lançadas pelos policiais e houve muita correria no local. Manifestantes jogaram pedras nos policiais e colocaram fogo em sacos de lixo. Segundo a Secretaria Municipal do Rio, 62 pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas ao Hospital Souza Aguiar --ao menos três atingidos por balas de borracha, um policial militar e dois guardas municipais.

Policiais do Bope (Batalhão de Operações Especiais) cercaram todo o quarteirão onde fica a prefeitura. Segundo um agente que preferiu não se identificar, apenas em um das ruas do entorno há cerca de 100 PMs. O efetivo total não foi divulgado pela corporação, mas há homens de vários batalhões.

Um carro da equipe de reportagem do "SBT" no Rio de Janeiro foi totalmente incendiado na Praça Onze. A emissora informou, ao vivo, que nenhum funcionário ficou ferido no incidente. Um jornalista da "Globonews" foi ferido na cabeça por uma bala de borracha.

Após a dispersão na sede da prefeitura, os manifestantes começaram a se deslocar em direção ao Maracanã, mas encontraram um bloqueio do Batalhão de Choque e foram recebidos por balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo.

Na Lapa, a rua Mem de Sá, com a maior concentração de bares do bairro boêmio, foi totalmente tomada por policiais do Batalhão de Choque e do Bope.

As pessoas que optaram por deixar o protesto no início do confronto saíram da manifestação sem pânico e cantando o hino nacional a plenos pulmões.

O auxiliar de marceneiro Cléber Tavares, 23, disse que foi atingido na confusão. "Jogaram uma pedra ou um pedaço de madeira que atingiu minha cabeça. Fiquei tonto", contou ele que foi atendido por um grupo de voluntários.

O professor André Oliveira, 31, contou que estava próximo à prefeitura quando a confusão começou. Ele estava em cima de um viaduto que liga a acenda Presidente Vargas e a Praça da Bandeira. "De onde eu estava, não deu para ver se houve vandalismo. O que eu vi foi uma chuva de bomba de gás lacrimogêneo. O choque foi subindo o viaduto e nós corremos para o outro lado, que também tinha choque”, afirmou. “Só tinha família ali. Ficamos 15 minutos encurralados, até eles irem embora e a gente conseguir sair."

O último protesto na cidade, que ocorreu na segunda-feira (17) e terminou com a depredação da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) e policiais e manifestantes feridos, reuniu 100 mil pessoas. Por volta das 18h30, a passeata chegou à prefeitura da cidade, onde era aguardada pela cavalaria da PM, Batalhão de Choque, Guarda Municipal e homens da Força Nacional de Segurança. Manifestantes soltaram fogos em frente ao prédio e gritavam para os policiais: "Você aí fardado também é explorado".

Imagens da prefeitura

As câmeras da prefeitura, que transmitem imagens da cidade 24 horas por meio do site do Centro de Operações, substituíram imagens da avenida Presidente Vargas e do prédio da prefeitura, para onde se dirigiram os manifestantes, foram substituídas por cenas do trânsito em outras partes da cidade, como a Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, na zona oeste.

Na página Operação Pare o Aumento! Passe Livre Já! Internautas reclamam da falta de imagens. Segundo a assessoria do Centro de Operações, o desvio se deve a um problema técnico e estão sendo colocados prints das câmeras na página do CEOP no Facebook.

Por volta das 19h, quando os cerca de 300 mil manifestantes chegaram ao prédio da prefeitura do Rio de Janeiro, algumas pessoas se aproximaram demais da cavalaria da Polícia Militar e entraram em confronto com os PMs. Bombas de efeito moral foram lançadas pelos policiais e houve muita correria no local. Manifestantes jogaram pedras nos policiais e colocaram fogo em sacos de lixo.

CUT e partidos

Cerca de 20 militantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) chegaram a ser expulsos da concentração para o protesto. Os militantes foram encurralados na esquina da avenida Presidente Vargas com a praça Pio 10, onde levaram socos e empurrões.

Os manifestantes destruíram as bandeiras e todo o material do grupo vinculado à CUT e levaram os mastros como prêmio. Pressionados pela multidão que gritava "Sem partido", os militantes deixaram o local pela rua da Quitanda. Por volta das 17h, um carro de som puxava o coro dos manifestantes.

Militantes de partidos políticos que levavam bandeiras para a passeata foram recebidos com vaias, palavras de ordem e bombas. "O povo unido não precisa de partido", gritaram os manifestantes apartidários para um grupo que levava bandeiras do PSTU, do PCB e do PC do B e descia a rua Uruguaiana em direção à avenida Presidente Vargas, onde acontece o protesto. "Sem partido", repetiam os manifestantes contrários à partidarização. "Sem fascismo", respondiam os militantes partidários.

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Metrô fechado

As estações Cinelândia, Carioca, Central e Presidente Vargas, no centro, tiveram parte das suas saídas fechadas devido à manifestação. Mais cedo, a estação Uruguaiana, próxima a Candelária, ponto de concentração dos manifestantes, também foi fechada. Segundo a assessoria do metrô a medida foi tomada por questões de segurança.

Diversas lojas no centro da cidade também fecharam suas portas mais cedo e vários comerciantes optaram por colocar tapumes em frente as vidraças.

A estação das Barcas S.A na Praça XV ficou fechada por cerca de meia hora depois que um grupo de manifestantes tentou invadir o local. Segundo a assessoria da empresa, parte da estação foi depredada, mas ainda não é possível precisar os danos. A estação já foi reaberta e o serviço está sendo normalizado.

Alerta para atentados

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), recebeu uma ligação telefônica do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, na qual tomou conhecimento de que a facção criminosa Comando Vermelho poderia cometer atentados terroristas durante a passeata.

Segundo a assessoria do governador, os principais alvos da facção, cujos membros estariam infiltrados entre os manifestantes, são Palácio Guanabara (sede do governo do Estado), a Prefeitura do Rio e a Assembleia Legislativa. O Palácio Guanabara foi cercado por grades.

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Revogação do aumento no Rio e SP

Os anúncios de revogação do aumento nas duas capitais foi feito no início da noite de quarta-feira (19), a menos de 24h das manifestações marcadas para hoje. No Rio, a medida foi apresentada pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB), segundo o qual o preço das passagens de ônibus na cidade será revogado. Desde o dia 1º de junho, a passagem de ônibus no Rio havia aumentado de R$ 2,75 para R$ 2,95, causando uma série de protestos pela cidade.

O prefeito anunciou ainda que os aumentos no metrô (de R$ 3,20 para R$ 3,50), trens (de R$ 2,90 para R$ 3,10) e barcas (R$ 4,50 para R$ 4,80) também serão revogados. Segundo Paes, o impacto no orçamento será de R$ 200 milhões ao ano.

Em São Paulo, o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), e o prefeito da capital paulista, Fernando Haddad (PT), anunciaram que o valor dos ônibus, metrô e trem voltará a R$ 3 a partir da próxima segunda-feira (24), ante os R$ 3,20 que atualmente são cobrados. Já a integração dos ônibus com o metrô e os trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) voltará a custar R$ 4,65 --hoje o valor é R$ 5.

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