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Pelo menos mil manifestantes fecham avenida no centro do Rio

Manifestante mascarado participa de protesto por melhores serviços públicos e contra a PEC 37 - Yasuyoshi Chiba/AFP
Manifestante mascarado participa de protesto por melhores serviços públicos e contra a PEC 37 Imagem: Yasuyoshi Chiba/AFP

Julia Affonso e Paula Bianchi

Do UOL, no Rio

24/06/2013 18h06Atualizada em 24/06/2013 21h15

A avenida Rio Branco, na região central da capital fluminense, teve o tráfego interrompido por causa da manifestação que ocupou a via entre as 17h e as 20h. Os cerca de mil manifestantes caminharam entre a Candelária e a Cinelândia portando cartazes com dizeres contra a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 37, que limita o poder de investigação do Ministério Público. Eles também reclamam da situação dos fundos de pensão de empresas que foram extintas, como a Vasp, a Varig e a Transbrasil.

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Mycon Freitas, 31, um dos fundadores do grupo UCC Brasil (União Contra Corrupção), que nasceu há dois meses no Facebook, afirmou que apesar de ser apartidário, o movimento está aberto a debates. “Estamos indignados, os partidos não fazem nada. Trinta e nove partidos é muita coisa. A gente admira o movimento de São Paulo, a causa das tarifas, mas não quer que isso acabe”, afirmou.

Durante a manifestação, um homem foi detido por suspeita de roubar um celular. Ele foi contido por manifestantes, que tentaram linchá-lo. A PM, no entanto, interviu e levou o suspeito para a 5ª DP (Gomes Freire)

Cerca de 70 policiais militares acompanham a passeata, mas sem qualquer intervenção. A pista lateral da avenida Presidente Vargas também foi interditada, no sentido Candelária, a partir da avenida Passos. O desvio foi feito pela pista central.

Todo o comércio na avenida e nas ruas transversais fechou as portas. Algumas lojas e agências bancárias protegeram suas fachadas com tapumes de madeira e até chapas de aço.

Vários manifestantes gritam palavras de ordem como “sem violência” e contra a corrupção e chegaram a cantar o Hino Nacional sete vezes. Durante a caminhada, muitos manifestantes colocaram máscaras ou cobriram o rosto e gritaram palavras de ordem contra Pelé e Ronaldo. Alguns soltaram rojões na avenidae foram vaiados pelos demais.

O agente de segurança do Metrô Michel Moura, 32, que participa da passeata na avenida Rio Branco, afirmou que todas as vezes que um rojão é lançado, os manifestantes sentam na via para tentar coibir esse tipo de ação. “Estamos tentando andar longe deles. Vândalos têm que ser presos. Estamos protestando contra eles também”, disse.

Entidades que lideraram os protestos anteriores, como o Fórum de Lutas contra o Aumento da Passagem, não participaram do ato desta segunda, divulgado na internet pelos grupos Nova Era Brasileira e UCC.

Uma das líderes do protesto era Cintia Casanova de Oliveira, 30, estudante e funcionária da RioCard, empresa que emite bilhetes de ônibus. "Conheci gente durante as manifestações e criamos a UCC. Por enquanto somos só eu e três amigos. Ainda não temos propostas, mas vamos nos reunir quando essa onda de protestos diminuir", afirmou Cintia, ex-militante do PCdoB. "Saí do partido há muito tempo, e hoje não tenho nenhum (partido)."

O professor de curso profissionalizante José Ferreira Júnior, 37, ajudou Cintia a organizar o protesto. Também integrante da UCC, ele disse não ser "de esquerda, nem de direita, nem de centro". "Todas as reivindicações convergem para uma coisa só, que é o combate à corrupção", disse.

Questionado sobre os projetos da UCC para o País, ele respondeu: "Não teria nenhum projeto para falar agora, mas todas as ideias são viáveis".

Cabral

Cerca de 30 pessoas continuavam acampadas perto da casa do governador Sérgio Cabral (PMDB), no Leblon, zona sul do Rio, na noite desta segunda.

O grupo se reveza no local desde sexta-feira (21), e nesta segunda ocupava cinco barracas montadas na rua Aristides Espínola. Cerca de 20 policiais observavam o ato, e a rua permanecia interditada. Um emissário do governo, que negocia a saída do grupo, afirmou que a polícia não vai retirá-los, embora moradores do bairro peçam que a via seja liberada.

Manifestantes dizem que só vão sair se forem recebidos pelo governador em audiência para discutir política de transportes e gastos com a Copa do Mundo. O governador não dormiu em casa no fim de semana. (Com agências)

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