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Médicos de Pernambuco param em protesto contra anúncio de "importação" de profissionais

Carlos Madeiro

Do UOL, em Maceió

25/06/2013 10h02

Em protesto contra o anúncio da "importação" de profissionais de outros países, os médicos de Pernambuco realizam, nesta terça-feira (25), uma paralisação nos serviços ambulatoriais no Estado e deixam a população sem atendimento.

O protesto foi decidido logo após o pronunciamento à nação da presidente Dilma Rousseff, na última sexta-feira (21), quando a presidente anunciou a contratação de milhares de médicos estrangeiros para atuar pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Segundo o Simepe (Sindicato dos Médicos de Pernambuco), estão parados os profissionais que atuam em serviços eletivos, como os ambulatórios e PSF (Programa de Saúde da Família), contratados por prefeituras, Estado e governo federal.

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Já os atendimentos de urgências e emergências estão mantidos. Ao todo, a estimativa é que 2,5 mil dos 6 mil profissionais do Estado –que atuam nessas áreas-- paralisaram as atividades.

Para discutir os rumos do protesto, uma assembleia geral será realizada às 14h, no Memorial de Medicina, no Recife. Uma paralisação geral não está descartada.

“O estopim foi esse pronunciamento do dia 21, e os médicos ficaram ofendidos. A gente definiu por essa paralisação, pois já tínhamos esse ato marcado, e o tornamos em uma assembleia. Daí resolvemos parar os serviços ambulatoriais”, disse o secretário de comunicação Simepe, Sílvio Rodrigues.

Subfinanciamento

Para o sindicalista, não faltam médicos no país, mas, sim, políticas de incentivo à carreira. “Nós queremos chamar a atenção da população, do Ministério da Saúde, dos governos de que nós discordamos dessa forma de contratação, sem a validação do diploma”, disse Rodrigues.

“O problema da saúde é o subfinanciamento, que é histórico. Aqui, o valor investido é menor que em vários países da América Latina. Queremos uma carreira federal, para que se resolva o déficit de profissionais.”

Qual deve ser o principal tema dos próximos protestos no Brasil?

Nacionalmente, a Fenam (Federação Nacional dos Médicos), o CFM (Conselho Federal de Medicina) e a AMB (Associação Médica Brasileira) vão conceder uma entrevista coletiva nessa quarta-feira (26), em São Paulo, para anunciar um calendário de manifestações e uma possível greve nacional dos médicos brasileiros contra a importação de médicos formados no exterior. “Uma paralisação deve ocorrer no dia 3 de julho”, disse Rodrigues.

Em nota, a Fenam defendeu, de forma emergencial, a realização concurso público nacional para dar oportunidade aos médicos brasileiros de “trabalharem de forma adequada, com salários justos e condições de trabalho.”

Vagas a brasileiros

Em anúncio nesta segunda-feira (25), a presidente Dilma Rousseff afirmou que vai contratar médicos estrangeiros apenas após “dar prioridade aos profissionais do Brasil.” Segundo o governo, os médicos estrangeiros atuariam exclusivamente na rede pública de saúde e apenas nas cidades em que não houve interesse dos brasileiros.

Mapa dos protestos

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“Trata-se de uma ação emergencial, localizada, tendo em vista a grande dificuldade que estamos enfrentando para encontrar médicos, em número suficiente ou com disposição para trabalhar nas áreas mais remotas do país ou nas zonas mais pobres das nossas grandes cidades”, disse Dilma, em reunião com os prefeitos de capitais e governadores.

O Ministério da Saúde informou que ainda estuda o formato do processo de seleção dos estrangeiros para preencherem as vagas. Está certo apenas que um dos critérios será a "qualidade da formação." Só serão aceitos profissionais cujos diplomas são reconhecidos no país de origem.

"O Brasil não será o primeiro país a buscar médicos de fora para enfrentar a dificuldade de contratação no interior. Enquanto no Brasil apenas 1,7% dos médicos são estrangeiros, no Reino Unidos esse índice é 37%”, informou o órgão, em nota. 

Manifestantes saem às ruas em protestos pelo Brasil
Manifestantes saem às ruas em protestos pelo Brasil
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