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Após expulsar garotas que se beijaram em culto, Feliciano diz que ato foi "baderna"

O pastor e deputado Marco Feliciano (PSC-SP) durante a quinta edição do Glorifica Litoral - Luciano Vieira/PMSS
O pastor e deputado Marco Feliciano (PSC-SP) durante a quinta edição do Glorifica Litoral Imagem: Luciano Vieira/PMSS

Gabriela Lousada

Do UOL, em Santos (SP)

16/09/2013 18h07

Duas estudantes foram expulsas da quinta edição do Glorifica Litoral, que ocorreu na noite de ontem (15) em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, após se beijarem em protesto contra o deputado federal e pastor Marco Feliciano (PSC-SP), que pregava no palco do evento gospel. Em seu Twitter, Feliciano comparou o ato com "baderna".

Jovens agredidas em culto vão processar Marco Feliciano

De acordo Daniel Galani, o advogado de Joana Palhares, de 18 anos, e Yunka Mihura, de 20, houve abuso por parte da Guarda Civil Militar, que teria agredido as jovens, na hora de retirá-las do público, a pedido do pastor. "Após terem sido tiradas à força e algemadas por pelo menos seis guardas, elas foram para a delegacia. No caminho, (as jovens) foram agredidas pelos guardas", disse Galani.

 

Joana e Yunka estavam com um grupo de aproximadamente 20 pessoas, que protestava no local pelos direitos dos homossexuais e contra a postura do deputado -- que preside a Comissão de Direitos Humanos da Câmara--, com apitos e cartazes. O beijo entre as estudantes chamou a atenção do deputado. "A Polícia Militar que aqui está, dê um jeitinho naquelas duas garotas que estão se beijando no meio de um culto. Aquelas duas meninas têm que sair daqui algemadas", disse aos fiéis, que aplaudiram as palavras do pastor.

Vídeo registra momento da expulsão

Tapas no rosto

“Eles tiraram a gente do meio do povo. Quando levaram a gente para debaixo do palco, me jogaram de canto na grade, deram três tapas na minha cara e começaram a torcer meu braço”, disse Joana.

Yunka afirma que, no local, casais heterossexuais também se beijavam. "Foi completamente injusto e horrível". À reportagem do UOL, as jovens disseram ser amigas e que estão "ficando há sete meses".

Galani disse que vai abrir uma ação para apurar os responsáveis pela agressão. “A gente vê que foi uma situação que fugiu completamente do controle. A gente sabe que existiam dois direitos em conflito: um é a liberdade de expressão e o outro a liberdade do ato religioso. Os dois direitos são constitucionais e estão previstos para que as pessoas possam fazê-los".

Ainda segundo o advogado, ele e as jovens irão abrir representação contra o deputado na Comissão de Ética da Câmara, por quebra de decoro parlamentar. "Entraremos também com um processo no Supremo Tribunal Federal. Aqui (em São Sebastião), iremos responsabilizar os guardas municipais por abuso de autoridade e lesão corporal", finaliza.

Desabafo na rede social

Nesta tarde, em seu Twitter, o pastor comentou o caso, comparando-o com um jogo entre Brasil e Argentina. "Final de Copa, Argentina e Brasil, 4 argentinos tendo sua arquibancada vêm sentar entre os brasileiros, e começam a xingá-los, imagine. Ou são loucos e necessitam de tratamento mental urgente, ou são baderneiros que querem 5 minutos de fama ou querem briga", declarou.

Ele disse ainda que as jovens tumultuaram o evento. "O Código Penal Brasileiro no seu artigo 208 diz: Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso. Pena: detenção, 1 mês a 1 ano ou multa (...)", disse.

Segundo ele, ainda na rede social, "toda vez que indivíduos adentram o local de culto, seja onde for, e atentam sem pudor contra nossos princípios, ferem nossos direitos (dos evangélicos)". "(Após a invasão), desrespeitam crianças, idosos, agridem as autoridades, chutam os policiais, e por fim dizem ser vitimas?", disse em mais uma postagem.

De acordo com o pastor, este tipo de ação contra evangélicos ocorre porque eles seriam "pacatos" e da "paz". "Mas não somos trouxas! A lei será empregada sempre que ferirem nosso direito", concluiu.
O Glorifica Litoral é considerado o maior evento gospel do Brasil e integra a semana sócio-cultural evangélica de São Sebastião desde 2009. Nesta última edição, cerca de 100 mil pessoas participaram.

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Resposta sobre as agressões

Em nota, a Prefeitura de São Sebastião informou que abriu uma investigação para apurar se houve excessos por parte dos guardas que estavam no local de plantão. No inicio da manhã desta segunda-feira, o caso começou a ser averiguado na ouvidoria e na corregedoria da Guarda Civil Municipal.
Segundo a prefeitura, a GCM agiu inicialmente conversando com as manifestantes na tentativa de retirá-las do local com segurança.
Ainda segundo informações da administração municipal, as "duas mulheres foram encaminhadas ao 1º Distrito Policial e lá o delegado de plantão decidiu registrar a ocorrência apenas como averiguação".
No inicio da manhã desta segunda-feira, o caso começou a ser averiguado na ouvidoria e na corregedoria da GCM que já está apurando se houve excessos por parte dos guardas que estavam no local de plantão.
 

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