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Cotidiano

Associação pede reforço de policiamento no entorno de shoppings após tumulto em SP

Larissa Leiros Baroni

Do UOL, em São Paulo

09/12/2013 18h54

A associação que representa os shoppings do país pediu nesta segunda-feira (9) à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, por meio de ofício, que haja um aumento na segurança no entorno dos centros de compras da capital paulista com o objetivo de barrar novos "rolezinhos" --como são chamadas as ocupações de jovens em encontros marcados pela internet que estariam ocorrendo em resposta a proibição de bailes funk de rua. Segundo a Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping), a entidade não recebeu uma resposta.

No sábado (7), o Shopping Metrô Itaquera, zona leste de SP, foi alvo desses grupos. Houve pânico e correria. Clientes se esconderam nas lojas, que fecharam as portas temendo saques. Lojistas relatam que clientes tiveram bonés, relógios e celulares levados por alguns jovens. Ainda nesta segunda, o Shopping Aricanduva, para onde está sendo marcado o próximo encontro, informou que reforçou a segurança no local.

"Solicitamos que haja rondas e fiscalizações no entorno dos shoppings, principalmente daqueles que são alvos do grupo, a fim de evitar que situações como a de sábado voltem a acontecer", relatou Luis Augusto Ildefonso, diretor de Relações Institucionais da Alshop, que disse ser necessária a implementação imediata de "ações preventivas". 

"No último tumulto, os lojistas foram obrigados a fechar as portas três horas antes, o que certamente causou grandes prejuízos a esses, sem contar o transtorno e o temor provocado aos funcionários e aos clientes."

Comerciantes reclamam de tumulto causado por "rolezinho" em shopping de SP

Segundo Ildefonso, essas ações são isoladas e não "comprometem" a segurança dos shoppings, que naturalmente e historicamente são reforçadas nesta época do ano devido ao aumento da frequência de pessoas nos centros de compra. 

"A Alshop tem uma ligação com as secretarias de Segurança de Estado, para que ações concatenadas reforcem ainda mais a segurança dos lojistas, funcionários e clientes."

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública afirmou não ter recebido o ofício ou comunicado da Alshop. No entanto, esclareceu que a segurança e organização de eventos no interior dos shoppings é de "responsabilidade privada".

"É evidente que, se houver tumultos ou crimes no interior destes estabelecimentos, as polícias agirão para contê-los, como aconteceu no último final de semana."

A recomendação, de acordo com a SSP, é que os centros comerciais peçam o reforço da Polícia Militar ou da Polícia Civil no entorno dos shoppings mediante o conhecimento de eventos como o que ocorreu no último sábado. 

Jovens causam tumulto em shopping de Guarulhos

A assessoria de imprensa do órgão informou ainda que não houve arrastão no Shopping Metrô Itaquera, tampouco inícios que o grupo tenha ido até o local para essa finalidade. Duas pessoas, no entanto, aproveitaram o tumulto para furtar e foram presas em flagrante. A delegacia responsável pelo caso abriu um inquérito de perturbação da ordem pública e já pediu o assessoramento da Delegacia de Crimes Eletrônicos, já que o evento foi marcado pela Internet.

Segundo o Shopping Metrô Itaquera, foi constatada uma ocorrência de tentativa de furto (um boné e uma bermuda) e a loja registou boletim de ocorrência. Três clientes procuraram o SAC, sendo dois casos de furto e um de perda de objeto. "Por isso, reforçamos a informação de que não houve arrastão". Em nota, o estabelecimento informou que "a situação é de ordem pública, já que mais encontros estão sendo marcados em outros shoppings".

E, para evitar novas ocorrências, o Shopping Metrô Itaquera disse manter contato direto com os órgãos públicos competentes e reforça seu quadro de colaboradores nessa época do ano. "Desde domingo (8), o shopping retomou o seu funcionamento normal, registrando ainda um aumento de 10% de fluxo, comparado com o mesmo domingo de 2012."

Proibição do baile funk na rua

Segundo os organizadores dos "rolezinhos", os encontros nos shoppings são uma resposta a proibições aos bailes funk de rua. "No shopping é mais seguro do que na rua, onde a polícia tem evitado o fluxo", afirmou Jefferson Luiz, conhecido como MC Jota L, 20, ao "Agora". 

Os vereadores de São Paulo aprovaram no dia 4 de dezembro, em segunda votação, o projeto que proíbe a realização de bailes funk em locais públicos. O prefeito Fernando Haddad (PT) tem até o início de janeiro para sancionar ou vetar o Projeto de Lei 2/2013.

A proposta dos vereadores Conte Lopes (PTB) e Coronel Camilo (PSD) se estende ainda a espaços privados de livre acesso ao público, como postos de gasolina e estacionamentos. O não cumprimento da lei poderá acarretar apreensão do carro de som e multa.

Ocorrências fora de São Paulo

No dia 30 de novembro, um tumulto causou pânico entre funcionários e clientes das lojas do Shopping Vitória, no Espírito Santo. Vários jovens que participavam de um baile funk clandestino do lado de fora do centro de compras correram para o interior do local ao perceber a presença da polícia. O encontro também teria sido agendado pela internet e chegou a reunir cerca de 400 pessoas.

Os shoppings de Belo Horizonte também foram alvos de encontros de jovens marcados pelas redes sociais, que se transformam em brigas e atos de vandalismo na porta e no interior de centros de compras da capital mineira.

No dia 24 de agosto, lojistas do Minas Shopping, na região nordeste de Belo Horizonte, precisaram baixar as portas por volta das 16h em razão de uma correria provocada por participantes do evento nos corredores do local. Os comerciantes reclamaram de prejuízos, já que o local funciona até as 22h, mas os clientes deixaram o local com medo do tumulto.

Já o shopping Estação BH, na região norte da capital, foi alvo de dois eventos realizados nos dias 15 e 17 de agosto. No último, a Polícia Militar foi acionada para conter aproximadamente 60 jovens que teriam invadido o local para brigar. 

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