Após morte de cinegrafista, governo dá curso para imprensa cobrir protestos

Fernanda Calgaro e Kleyton Amorim

Do UOL, em Brasília

Curso para jornalistas no DF simula manifestações e confronto com polícia

De olho nas manifestações contra a Copa do Mundo de 2014 e ainda sob o impacto da morte de um cinegrafista durante protesto no Rio de Janeiro, o Ministério da Justiça e a Força Nacional de Segurança Pública preparam uma cartilha com orientações para os profissionais da imprensa.

O manual de comportamento seguro deverá trazer desde dicas sobre o que portar durante a cobertura, como capacete, identificação, capa de chuva e kit de primeiros socorros, até orientações sobre como proceder quando inalar gás de pimenta e lacrimogêneo.

Para ajudar na definição dessas diretrizes, cerca de 50 repórteres, fotógrafos e cinegrafistas de todo o país participaram na sexta-feira (28) e no sábado (29) de um curso piloto de imersão, com aulas teóricas e simulações práticas, na base da Força, localizada no Gama, cidade no entorno de Brasília.

Leia o depoimento dos repórteres do UOL

A cartilha, que ainda não tem data de lançamento, também servirá para nortear o trabalho dos órgãos de segurança em relação à imprensa. As polícias militares estaduais, porém, não serão obrigadas a segui-la, mas a ideia é que sirva como parâmetro.

Entre as 12 cidades-sede dos jogos da Copa, até o momento, três Estados já solicitaram reforço das tropas federais, segundo o diretor da Força, tenente-coronel Alexandre Aragon, que não informou quais são eles.

A publicação vai trazer ainda sugestões de comportamento seguro para os profissionais da imprensa durante as manifestações, como, no caso de fotógrafos e cinegrafistas, evitar permanecer sozinho para ter sempre um colega atento ao que acontece ao redor.

Outro procedimento em estudo e que poderá gerar polêmica é o uso de coletes identificando os profissionais uma vez que, desde a onda de protestos em junho do ano passado jornalistas passaram a ser alvo dos manifestantes.

Força Nacional de Segurança

Criada em 2004 nos moldes das missões de paz da ONU (Organização das Nações Unidas), a Força Nacional reúne a elite das polícias e é integrada por policiais militares, civis, bombeiros e peritos. Mais de 10 mil profissionais já passaram pelos treinamentos –só em 2013, foram 1.627, que podem ser mobilizados a qualquer momento para as operações.

Indicados pelos comandos em seus respectivos Estados por terem se destacado, uma vez selecionados para a Força, eles passam por treinamento intenso que pode durar de alguns meses a dois anos. Atualmente, homens da Força estão distribuídos em 28 operações em 14 Estados, incluindo ações nas fronteiras do país, ambientais e para controle de distúrbios civis.

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