Professora é impedida de assumir cargo público em SP por ser obesa

Eduardo Schiavoni

Do UOL, em Americana (SP)

  • Arquivo pessoal

    Ana Carolina Buzzo Marcondelli foi considerada uma obesa mórbida e impedida de assumir cargo como professora efetiva

    Ana Carolina Buzzo Marcondelli foi considerada uma obesa mórbida e impedida de assumir cargo como professora efetiva

A professora de biologia Ana Carolina Buzzo Marcondelli foi considerada pela segunda vez inapta, por ser obesa, para assumir o cargo de professora efetiva na rede estadual de ensino. Ela, que tem 119 quilos e 1,65 m de altura, passou em 15º lugar no processo de seleção para a Diretoria de Ensino de Araraquara, no interior de São Paulo, mas foi barrada por conta da obesidade. Marcondelli recorreu ao DPME (Departamento de Perícias Médicas do Estado) e, na sexta-feira (25), teve o pedido negado. Apesar de se dizer pessimista sobre a chance de assumir, ela afirmou que irá recorrer novamente.

Em nota, o DPME informou que segue critérios técnicos e científicos previstos no Estatuto dos Funcionários Públicos e que Marcondelli, além de ser obesa mórbida, tem outros problemas de saúde. O DPME informou que Marcondelli tem IMC (Índice de Massa Corporal) de 43, o que a qualifica como obesa mórbida. O limite para a classificação é 40.

"Já a obesidade mórbida (IMC maior que 40 / classificação OMS), é considerada doença grave e requer avaliação mais detalhada, dadas as doenças oportunistas", afirmou. No caso de Marcondelli, a instituição disse ainda que "houve uma negativa não só por ter sido classificada com o quadro de obesidade mórbida, mas também por outras comorbidades".

Segundo o DPME, a professora possui outros problemas de saúde que a impedem de exercer a profissão. A instituição não divulgou, no entanto, quais seriam os problemas. A professora terá acesso ao laudo na terça-feira e só então saberá quais os outros problemas.

Para Marcondelli, a decisão não foi uma surpresa. "Eu já imaginava que seria reprovada porque meu IMC não mudou. Agora tenho mais um recurso e, se não passar novamente, como acredito, eu entro no mesmo dia com o mandado de segurança na Justiça", afirmou ela, que tem ate terça-feira para entrar com o novo recurso.

A professora diz estar com a saúde em dia e ter exames que comprovam que ela é saudável. "Eles dizem que eu apresento, além da obesidade mórbida, outras comorbidades, mas o meu médico tem todos os exames que eu inclusive apresentei, mostrando que eu sou saudável, nem minha pressão é alta!", diz.

Marcondelli afirma que faz exercícios físicos, mas não pretende emagrecer para assumir o cargo. "Eu sempre fui gordinha e, desde a minha adolescência, brigo com meu peso. Mas me cuido e não vou ficar obcecada em emagrecer por causa do cargo, porque o Estado está mandando. Se eu emagrecer vai ser porque eu quero, como já aconteceu antes. É meu cargo por direito, inclusive eu já trabalho para o Estado, subo escadas, dou aula, enfim, estou na ativa e o principal eu tenho, que é o diploma", afirmou ela, que leciona como substituta em uma escola estadual em Américo Brasiliense (SP) e em uma universidade em Araraquara (SP).

A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) informou que já entrou na Justiça contra a decisão do governo do Estado de barrar obesos que passaram em concursos públicos para vagas de professores em todo o Estado.

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