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Minas pode ter racionamento "severo" de água em três meses, diz Pimentel

Governador Fernando Pimentel (PT-MG) - Sérgio Lima 23.abr.2013/Folhapress
Governador Fernando Pimentel (PT-MG) Imagem: Sérgio Lima 23.abr.2013/Folhapress

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

28/01/2015 11h35Atualizada em 28/01/2015 21h02

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), disse que o Estado poderá sofrer racionamento de água nos próximos três meses. As áreas mais afetadas são a região metropolitana de Belo Horizonte e o norte do Estado. “Se não chover, se o consumo não cair e se a vazão não aumentar em três meses, vamos ter que racionar severamente”, disse Pimentel após reunião com a presidente Dilma Rousseff (PT), nesta quarta-feira (28), em Brasília.

Pimentel disse que esta foi a primeira vez que a situação hídrica de Minas Gerais foi apresentada à presidente e que Dilma, que é mineira, demonstrou preocupação. O governador de Minas Gerais disse que o Estado vai implementar um conjunto de medidas para tentar evitar o racionamento que vão passar pela cobrança de sobretaxa a consumidores que gastarem mais do que a média do ano passado.

“Se essa campanha não for suficiente, vamos para o rodízio. Se não for suficiente, vamos para o racionamento”, afirmou o governador.

Na semana passada, a Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) entrou com solicitação ao Igam (Instituto Mineiro de Gestão das Águas), órgão que regula os recursos hídricos no Estado, para que seja decretada "situação hídrica crítica" para poder adotar o racionamento.

Entre as obras previstas para enfrentar a crise hídrica em Minas está a ampliação do capacidade de captação de água no rio Paraopeba. A obra deverá aumentar a quantidade de água captada e transportada ao reservatório do rio Manso, principal reservatório da região metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo Pimentel, as obras para ampliação da captação no rio Paraopeba só deverão ficar prontas em meados de novembro. “Se tudo der certo, nós vamos estar com essa capacidade aumentada em novembro desse ano. Então, precisa atravessar o ano. E para atravessar o ano tem que haver uma redução de 30% no consumo”, afirmou.

As medidas de redução de consumo de água na região metropolitana de Belo Horizonte deverão afetar 5 milhões de habitantes.

Pimentel voltou a criticar as gestões anteriores no governo de Minas Gerais (sob o comando do PSDB), que, segundo ele, ignoraram alertas sobre a gravidade da crise hídrica feitas pela ANA (Agência Nacional de Águas) em 2014.

“A companhia de saneamento estadual deixou de tomar as medidas necessárias (...) Isso que estamos fazendo agora, já podia estar sendo feito desde meados do ano passado”, afirmou.

Pimentel disse que o volume de recursos necessários para a obra de ampliação da capacidade de captação de água no rio Paraopeba será inferior a R$ 1 bilhão. No entanto, não houve detalhamento sobre como o governo federal iria apoiar o governo mineiro, nem foi divulgado o valor total que seria investido no Estado.

A presidente Dilma também se reunirá nesta quarta com o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), que também vai tratar da crise hídrica no Estado.

Segundo Ricardo Simões, ex-diretor-presidente da Copasa, "não há registro de qualquer recomendação por parte da ANA junto à Copasa em relação ao tema [crise hídrica]".

De acordo com Simões, "com uma visão estratégica e de planejamento a Copasa, realizou campanhas de conscientização sobre uso de água, intitulada “Água, se não economizar vai faltar”, visitas técnicas, debates regionais promovidos pelo Comitê de Bacias Hidrográficas".

O presidente do PSDB em Minas, deputado estadual João Leite, ao culpar a administração tucana Pimentel se mantém no "palanque", "mantendo a disputa política" das eleições do ano passado.

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