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Ladrão devolve R$ 1.000 roubados no Réveillon de Copacabana: "me perdoe"

"Dr. Eduardo estou devolvendo seu dinheiro que eu peguei da sua carteira no dia 31 em Copacabana. Não dormi arrependido e peço que me perdoe. Feliz Ano Novo. Só tirei cinquenta reais pra comprar uma champanhe pra minha mãe. Fábio" - Reprodução/Facebook
"Dr. Eduardo estou devolvendo seu dinheiro que eu peguei da sua carteira no dia 31 em Copacabana. Não dormi arrependido e peço que me perdoe. Feliz Ano Novo. Só tirei cinquenta reais pra comprar uma champanhe pra minha mãe. Fábio" Imagem: Reprodução/Facebook

Do UOL, no Rio

08/01/2016 11h07Atualizada em 08/02/2016 17h19

O advogado Eduardo Goldenberg, morador do Rio de Janeiro, teve a carteira roubada na noite do dia 31 de dezembro, ao chegar a Copacabana, na zona sul da capital fluminense, para a festa da virada do ano. Alguns dias depois, ele conseguiu recuperar a carteira.

Na terça-feira (5), ao chegar ao trabalho, ele encontrou um envelope com quase todo o dinheiro que havia sido furtado --R$ 1.017-- e um bilhete deixado pelo ladrão. "Dr. Eduardo, estou devolvendo seu dinheiro, que eu peguei da sua carteira no dia 31, em Copacabana. Não dormi, arrependido, e peço que me perdoe. Feliz Ano Novo. Só tirei cinquenta reais pra comprar uma champanhe pra minha mãe. Fábio", dizia o texto, escrito a mão.

O próprio advogado diz ver a história como algo inacreditável. “A história é inverossímil. Se não tivesse alguém para contar, não teria ar de verdade”, disse Goldenberg ao UOL. “Não tenho nada a ganhar com isso [com a divulgação da história]. Nem sei por que os holofotes estão voltados para mim. A história do garoto é comovente.”

Mensagem

Goldenberg compartilhou sua história no Facebook, que viralizou em apenas algumas horas, com mais de 4.000 curtidas e quase 3.000 compartilhamentos. "Mal saltamos na estação Siqueira Campos, plau!, senti uma mão estatelada no bolso esquerdo da bermuda cargo que eu vestia e adeus carteira, adeus dinheiro e nada disso importa, é 31 de dezembro, que façam bom uso do dinheiro, dos documentos eu peço a segunda via e vamos pra festa que é o que interessa", contou Goldenberg no texto.

Ele continua o post dizendo que foi contatado no dia seguinte, pelo Facebook, por uma pessoa cuja identidade foi preservada e que havia encontrado a carteira na própria estação de metrô Siqueira Campos.

Mas foi só na terça, quando voltou ao trabalho, que o advogado teve a surpresa: um envelope com o dinheiro --R$ 50 estavam faltando-- e o bilhete: "Entrei, já aflito. Tranquei a porta. Acendi as luzes, sentei-me, pus os óculos, abri com cuidado o envelope e contei, atônito, R$ 967 em dinheiro". "Eu só chorava. Quem me protege não dorme", finalizou.

O advogado disse não ter visto necessidade de registrar boletim de ocorrência a respeito do furto. “A única coisa que me interessava na carteira eram os documentos. E eu poderia pedir a segunda via deles depois”, disse Goldenberg ao UOL.

Repercussão

O advogado ainda não tem noção sobre a repercussão de sua mensagem publicada. “Não tive condição de parar para ver isso ainda. Sei de um amigo e de outro que falam que viram história aqui, ali”, contou Goldenberg ao UOL.

Sobre comentários de leitores que pensam que a história não seja verdadeira, o advogado diz que é “uma pena não acreditarem”. “Achei que não custava dividir isso com as pessoas.”

Goldenberg critica o “discurso do medo” na sociedade. “No Brasil, temos mais medo do que violência. Aos 46 anos, sofri o primeiro furto da minha vida”, disse o advogado, que não pretende deixar de fazer nada em sua rotina após o furto na noite de Ano-Novo.
 

 

Estou desde terça-feira, 05/01/2016, ainda impactado, decidindo com meus botões se conto ou se não conto a história que...

Publicado por Eduardo Goldenberg em Quinta, 7 de janeiro de 2016

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